Compartilhando Fernando Pessoa
Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá à falência.
Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples, que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer "eu te amo". É ter humildade da receptividade.
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz... E, quando você errar o caminho, recomece, pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.
Pedras no caminho? Guardo todas... Um dia vou construir um castelo!
Fernando Pessoa
30 de junho de 2011
17 de junho de 2011
Sem lenço e sem documento
Depois de algum tempo sem postar nada hoje me deu vontade de contar minhas últimas aventuras.
Estou super bem, totalmente cicatrizada da reconstrução da mama e satisfeita com o resultado, terei que fazer depois (não sei quando ainda) a simetrização com a outra mama e a colocação do bico. Pois é um dos seios é "caolho", mas mesmo assim estou muito feliz, porque agora tenho volume, estou "turbinada". O dr. Leonardo Dalo, meu cirurgião está também bastante satisfeito com o resultado, realmente o resultado da mama se aproxima a um procedimento de cirurgia plástica de mama e não de uma reconstrução.
Isso me motivou a retomar a academia, também comecei a cuidar de verdade a alimentação e o cuidado da minha saúde. A atividade física e a alimentação são pontos importantes do tratamento. Sim continuo o tratamento por cinco anos, mas essa mudança de hábitos devo ter para o resto da vida.
Estou em "férias" até o final do ano, me dei um tempo para repensar minha vida profissional e o que eu gosto de fazer e aí a surpresa, eu que me acho tão previsível me vejo agora uma metamorfose ambulante, tal qual o Raul Seixas descreveu.Na profissão que eu tinha, tudo me apaixonava, realmente eu tinha uma relação de paixão com o trabalho, e paixão a gente sabe se não dura pouco vira doença e no meu caso virou, não foi o câncer que veio por causa do trabalho, sabemos que as coisas não são tão simples, mas a minha obsessão não era em nada saudável. Hoje vejo que perdi algumas coisas importantes do convívio da minha família e que graças a Deus é possível recomeçar de novo, fazendo diferente desta vez. Tenho o desafio de encarar uma vida mais simples, com menos gastos, o que não é fácil para quem já foi totalmente independente e em alguns momentos foi a maior renda familiar. Mas acredito que Deus provê o que precisamos, sempre foi assim na minha vida. Não estou desistindo de trabalhar apenas estou me dando um tempo com menos obrigações, acho que mereço uma folga, uma vida mais light, uma vez que sempre fui muito comprometida com todas as minhas tarefas independente de serem profissionais ou pessoais, já disse isso aqui, mas acredito mesmo na máxima do Capitão Nascimento: "Missão dada é missão cumprida". Agora estou de folga das "missões", estou curtindo temporariamente esse tempo sem compromisso, quase sem "lenço e sem documento". O QUE ISSO CAUSA NAS PESSOAS? DESCONFIANÇA. Muito engraçado, os filhos chegam e me encontram tricotando, de verdade, fazendo mantas, polainas e perguntam:
- Aí mãe só no tricozinho?
Tenho vontade de rir, mas aguento firme, eles precisam descobrir que é assim mesmo, somos flexíveis e precisamos se-lo, quem não se flexibiliza se quebra. Antes eu era a última a chegar em casa, agora já estou em casa quando chegam. Era muito ocupada, tinha tanto a fazer, não tinha muito tempo para desperdiçar, assuntos: todos muito sérios, falar de novela nem pensar. Descobri que as futilidades também são importantes. Agora... todo o tempo do mundo me pertence, e dentro dele tudo cabe, e isso é muito bom.
10 de junho de 2011
Eduardo e Mônica O filme ( OFICIAL )
Parabéns pelo Dia dos Namorados, linda história para quem viveu a adolescência na década de 80.
27 de maio de 2011
Os tempos
Os tempos em que vivemos...
Há quem diga que o que vale é só o agora, o presente, o hoje, é só o que temos. Concordo.
Mas há quem diga que o passado é o que nos forja, nos habilita a viver melhor o presente. Concordo igualmente.
Há quem diga que é preciso acreditar no futuro para viver bem o presente, sim isso é fundamental.
De fato vivemos entre o passado, o presente e o futuro.
O presente é ação, o agora, a chance de fazermos.
O passado é a soma do que somos, nossas lembranças, vivências e experiências.
O passado pode ser o nosso mestre, ou o nosso algoz.
Tudo depende do como vivemos, o quanto vivemos e o como encaramos tudo que vivemos.
Não ter medo da vida é a chance de termos boas lembranças.
Nutrir o sentimento de esperança no presente ajuda a construir um futuro "minimamente bom".
É preciso nutrir essa confiança de que sempre virão coisas muito melhores, que há muito ainda para viver e amar.
Em qualquer que seja o tempo verbal, precisamos nutri-lo com AMOR.Viver amando não cansa, ao contrário de certa forma nos torna eternos...
21 de maio de 2011
O sol
Depois da tempestade tudo que eu quero são dias de sol...
E assim minha vida vai ganhando dias de sol.
Cada dia mais iluminado que o outro...
16 de maio de 2011
Pensando...
Hoje faz 20 dias da cirurgia e estou muito bem, tudo indo como o esperado.
Dessa vez me cuidei bem mais, não me expus muito, fiquei mais quietinha em casa e está dando tudo certo.
Estou em casa me recuperando e pensando nas ilusões de controle que tenho.
Estou aos poucos compreendendo que o que o câncer foi algo que veio porque tinha que vir, fazia parte da minha história, mas eu aproveitei para mudar a minha vida naquilo que eu precisava mudar e fortalecer aquilo que eu já tinha e não dava tanta atenção. Não quero achar que ele foi uma consequência, porque isso leva as pessoas a acharem que eu poderia tê-lo evitado, o que não é verdade. Fato mesmo é que ninguém é tão onipotente assim que pode fazer-se adoecer ou fazer-se curar. Tem um elemento nisso tudo chamado sorte ou plano de Deus, cada um escolhe o nome baseado nas suas crenças pessoais. O momento da descoberta da doença é um pouco isso, se eu esperasse um pouco mais para fazer a mamografia poderia estar vivendo uma história diferente. Acho que eu aprendi e continuo aprendendo muito sobre a minha vida e sobre a importância de realizar exames periódicos.
O câncer de mama é curável em 95 % dos casos, desde que descoberto em tempo hábil. Fazer exames de rotina, preocupar-se com a saúde é uma forma de evitar maiores problemas e ter uma vida mais longa. Claro que não posso negar que questões psicológicas atuam também sobre o nosso corpo, porém não há nada que garanta que podemos produzir sozinhos uma doença ou uma cura. No meu caso quis ficar curada e usei tudo que estava a minha disposição, todos os recursos para me manter emocionalmente e fisicamente bem. Da quimioterapia até as atividades físicas, passando pelas horas de terapia, fiz tudo o que eu achava que me daria qualidade de vida e deu certo. Porém já convivi com quem também tentou de tudo e não conseguiu se manter vivo e vejo nessas pessoas também vitória, porque encararam de frente aquilo que estava acontecendo, acho que cada um pode dar um significado para tudo que está vivendo e um significado positivo, por mais negativo que seja o quadro. Há também quem não queira enfrentar e resolva negar, vivendo até o último minuto sem ver o que está passando, cada um escolhe como quer viver, e não cabe a ninguém julgar, o que a maioria não consegue e isso é que deixa o nosso desejo de onipotência e de controle loucos, é escolher como irão morrer. Isso acontece para todos, independe da nossa vontade e escapa do nosso planejamento, sem dúvida alguma morrer não está nos nossos planos.
12 de maio de 2011
Selo Oncoguia
Olá recebi o selo do site Oncoguia. este site contém várias informações importantes para a prevenção e tratamento do câncer.
Sabemos que a informação é um recurso importante do tratamento e diagnóstico do câncer.
Vale lembrar que muitas vezes não podemos prevenir o câncer, mas é possível curá-lo quando diagnosticado precocemente.
Segue o endereço:
www.oncoguia.com.br
Sabemos que a informação é um recurso importante do tratamento e diagnóstico do câncer.
Vale lembrar que muitas vezes não podemos prevenir o câncer, mas é possível curá-lo quando diagnosticado precocemente.
Segue o endereço:
www.oncoguia.com.br
11 de maio de 2011
16 dias após a cirurgia
Eu assisti esta semana o programa da Marília Gabriela, entrevistando a atriz Drica Moraes, recém saída de um transplante de medula, gente vale a pena, tudo que ela fala reflete o que passamos diante de uma batalha contra o câncer, se tiverem oportunidade, assistam.
Quero compartilhar também a minha alegria por retirar os drenos, agora é só cuidar uns dias para não movimentar o braço esquerdo para facilitar a drenagem natural do meu corpo, em 45 dias devo retomar todas as minhas atividades.
Agradeço a toda oração e todo pensamento positivo a mim dirigido!!!
Quero compartilhar também a minha alegria por retirar os drenos, agora é só cuidar uns dias para não movimentar o braço esquerdo para facilitar a drenagem natural do meu corpo, em 45 dias devo retomar todas as minhas atividades.
Agradeço a toda oração e todo pensamento positivo a mim dirigido!!!
7 de maio de 2011
Sobre ser Mãe ...
Amanhã comemoraremos o dia das Mães e eu tenho que dizer aqui o quanto isso "é" na minha vida.
Ser mãe é quase tudo, é aquele sentimento que empurra a gente para não desistir quando tudo parece muito difícil de ser encarado. Ser mãe é a diferença que faz entre ser uma pessoa e ser mãe, é um divisor de águas, Eu vejo como algo que me move, que me impulsiona e que me faz viver, sem exagero nenhum. Aliás o exagero vem no pacote do "ser mãe", somos exageradas em tudo, nos dramas e nas conquistas pessoais de nossos filhos, Somos intensas. Quer ver uma mãe feliz? Elogie seus filhos... Quer ter uma inimiga para o resto da vida? Faça o contrário.
Para mim a maternidade chegou bem cedo, no final da adolescência fui mãe pela primeira vez e depois disso vivi os dias mais felizes da minha vida nessa condição, houveram algumas lágrimas é verdade, mas nada comparado a alegria que sempre tive. Uma alegria grande: a amamentação, eu louvo a Deus porque pude experimentar isso na minha vida por três vezes e de forma intensa.
Sou uma sortuda, só tenho que agradecer a Deus pelos meus queridos: Raphael, Fellipe e Gustavo, é para vocês que eu quero dizer:
- Saibam queridos que eu os amo muito, muito mesmo e que vocês são aquilo que há de melhor na minha vida.
Obrigada pelo simples fato de existirem!!!
6 de maio de 2011
Sobre a aventura de viver
Viver é uma aventura linda da qual não temos controle algum. Temos a ilusão de tentar controlar o que acontece a nossa volta, triste essa ilusão, não controlamos nada... nadinha mesmo.
Por isso quando comecei a escrever esse post, pensei em colocar o quando estou decidida a seguir em frente, a não adoecer de novo, a recomeçar, agora que aos poucos as coisas estão retornando a normalidade e vi que sobre isso não tenho controle algum.
Posso apenas escolher como enfrentar cada situação da minha vida, então hoje, eu escolho a fé, a esperança e o amor, como busca constante da minha vida, sem essas três coisas, acredito que eu não poderia ser feliz!!!
Me sinto pendurada na corda, mas não há desespero, há confiança no amor de Deus.
5 de maio de 2011
4 de maio de 2011
Só coisas boas
A cirurgia foi difícil, o pós operatório é dolorido, mas estou feliz, estou começando a ressurgir aos poucos, depois de uma semana com remédios muito fortes.
Sinto que daqui para frente só virão coisas boas, dá vontade de cantar:
"Tristeza, por favor vá embora..."
Foi.
Agora só alegria, só coisa boa
Sinto que daqui para frente só virão coisas boas, dá vontade de cantar:
"Tristeza, por favor vá embora..."
Foi.
Agora só alegria, só coisa boa
26 de abril de 2011
Reconstrução
Com um friozinho na barriga, mas com muita fé encaro hoje a cirurgia de reconstrução da minha mama, será às 15:30 no Hospital Dom vicente Scherer,rezem por mim!
Deus na sua infinita misericórdia nos lançou meios para que possamos apesar de todo o sofrimento sentido virarmos a página e recomeçar a nossa história.
Neste recomeço levamos a bagagem dos aprendizados sofridos que nos fazem mais experientes e muito mais ricos de humanidade. Podemos enfim deixar para trás o velho e abraçar o novo. Tudo novo de novo.
O novo dá medo, gera insegurança, temos que reaprender a viver novamente, uma nova realidade, a covardia quer nos convencer que melhor seria deixar tudo como está, para que mexer no que não está te incomodando?
É preciso querer se incomodar para mudar, é preciso muita coragem, muito amor por si, pois Clarice Lispector já disse: "Só o que está morto não muda".
Toda mudança gera desconforto, mesmo quando é para melhor. Lembro-me bem dos primeiros anos de casada, nos mudamos 7 vezes antes de irmos finalmente para nossa casa e quando fomos, eu senti um misto de felicidade e nostalgia, felicidade porque enfim havíamos conquistado a nossa casa, nostalgia porque em cada casa que passávamos deixávamos um pouquinho das nossa vidas, nossas alegrias, nossas dificuldades, nosso amor; nestas mudanças estávamos caminhando sempre para um espaço melhor, como entender o saudosismo? Era saudade do que já tínhamos vivido.
Tem um programa de tv que se chama perder para ganhar, é um programa voltado para pessoas obesas que precisam perder peso para ganhar saúde. Fico pensando neste título e no quanto ele é inteligente, pois no jogo da vida a dinâmica se dá no ganha e perde, perde e ganha, de forma cíclica e quase lúdica. O fato é que quase nunca nos focamos no que iremos ganhar e ficamos atrelados a perda, desta forma deixamos o jogo passar...
Eu penso que viver é correr e administrar riscos, uns maiores, outros menores, mas tudo sem dúvida alguma nos fará crescer.
19 de abril de 2011
O que a cruz me ensina ...
Páscoa
Morte e Ressureição - "Eu vim para que todos tenham vida."
Estamos na semana santa e para os cristãos é uma semana de muita meditação.
Meditar a paixão de Cristo, sua morte e sua ressurreição, olhar para a vitória da cruz, sem medo.
O que será que Jesus quer me dizer quando está na cruz?
O que será que Jesus me ensina quando ressuscita?
São indagações deste momento, deste tempo santo.
A mim Jesus ensina o valor do Amor, o amor que a tudo vence inclusive a morte.
Me ensina que “cruzes” fazem parte da minha vida e é preciso carregá-las.
Me ensina que todo o sofrimento que posso sentir pode ser amparado e entendido pela sua presença sobrenatural na minha vida.
Me ensina que é possível ressuscitar para o amor e morrer para os desafetos, as mágoas, as palavras proferidas sem pensar.
Me ensina que para amar de verdade os outros é preciso querer esquecer o mal e só me lembrar do bem que me foi feito.
Me ensina que uma vida feliz é possível agora neste mundo e que o céu começa aqui.
Me ensina que julgar faz sofrer tanto e quanto a quem se julga.
Me ensina que é preciso amar a cada um como se fosse a última vez que o vemos, pode ser que seja mesmo.
Me ensina que perdoar é divino, mas desejar o perdão pode ser humano.
Me ensina que palavras são armas poderosas capazes de fazer o máximo de bem e o máximo do mal.
Me ensina que todos são bons e dignos de amor, basta que acreditemos sinceramente nisso.
Me ensina que a vida é um segundo, passa rápido e viver é uma dádiva da qual devemos agradecer constantemente.
Me ensina que dois mil anos passam em um piscar de olhos, o que sobra para 80 anos?
Então eu vejo que o lance é ser feliz no tempo que me cabe, seja ele qual for.
Um abraço com carinho e um desejo de uma Feliz e abençoada Páscoa,
11 de abril de 2011
Dolce far niente
Eu estou aprendendo o que quer dizer a expressão italiana: "dolce far niente", o prazer de não fazer absolutamente nada por algumas horas ou até dias.
Não precisar fazer nada, escolher ficar ouvindo uma música, mesmo quando a casa pede uma arrumação e tens horário para chegar no trabalho, a casa que espere...
Agora estou ouvindo minha música preferida e se chegar alguém aqui em casa agora me encontrará de camisola, "despenteada" e feliz. Feliz pelo prazer de estar comigo mesma, os filhos estão no trabalho ou escola o marido também eu aqui "me curtindo".
Isso para mim é uma revolução, pois era escrava da opinião alheia, hoje algumas opiniões para mim são importantes, outras simplesmente descarto. Abri mão de agradar a todos e resolvi me agradar, a leveza que isso me traz é impressionante.
Os italianos tem essa expressão maravilhosa que reflete uma necessidade pouco atendida.
Me pergunto será por isso que eles parecem mais alegres? Mais autênticos? Mais intensos?
Descobriram o segredo da vida, que é viver cada minuto como se fosse o último?
Viver é urgente e às vezes eu perco tempo com mesquinharias, agora vou tirar o pó da casa, cantando...
Não precisar fazer nada, escolher ficar ouvindo uma música, mesmo quando a casa pede uma arrumação e tens horário para chegar no trabalho, a casa que espere...
Agora estou ouvindo minha música preferida e se chegar alguém aqui em casa agora me encontrará de camisola, "despenteada" e feliz. Feliz pelo prazer de estar comigo mesma, os filhos estão no trabalho ou escola o marido também eu aqui "me curtindo".
Isso para mim é uma revolução, pois era escrava da opinião alheia, hoje algumas opiniões para mim são importantes, outras simplesmente descarto. Abri mão de agradar a todos e resolvi me agradar, a leveza que isso me traz é impressionante.
Os italianos tem essa expressão maravilhosa que reflete uma necessidade pouco atendida.
Me pergunto será por isso que eles parecem mais alegres? Mais autênticos? Mais intensos?
Descobriram o segredo da vida, que é viver cada minuto como se fosse o último?
Viver é urgente e às vezes eu perco tempo com mesquinharias, agora vou tirar o pó da casa, cantando...
6 de abril de 2011
Transformação
É impressionante a vontade de mudança que me invade após essse processo que eu passei.
Quero mudar muitas coisas na minha vida e agora mais do que em qualquer outro momento da minha vida me sinto ansiosa e angustiada, nem o câncer me deixou tão agitada.
O processo de tratamento é uma tarefa e como tal tem que ser cumprida, me lembrava sempre do personagem Capitão Nascimento da Tropa de Elite: "Missão dada é missão cumprida!" E assim foi, uma missão de guerra, um aparato "bélico" para vencer qualquer "bandido" que pudesse ainda estar entranhado em mim. Talvez essa relação de guerra é o que explica a minha fascinação pelo personagem Nascimento, durante o tratamento temos também que enfrentar emboscadas, colocar na parede o inimigo e temos que ter alguma fantasia para nos ajudar a enfrentar uma dura realidade, uma farda ajuda a tornar mais leve a empreitada.
Mas enfim tudo passou, mas nada voltou ao que era. Essa desacomodação nos causa um sentimento ambivalente estou muito feliz porque estou curada, mas quero uma vida mais perto da normalidade. Quero um corpo novamente inteiro e não me venham com a história de que o importante é ter saúde, sim é o essencial, mas quando a recobramos queremos todo o resto também.
Esses dias fui consultar na clínica e encontrei outras mulheres na mesma situação que eu, e elas disseram a mesma coisa:
Quero agora mudar a minha vida, vou cuidar de mim.
Porque não fazemos isso antes? me pergunto, porque não prevenir que a doença chegue?
Me senti com tanto em comum com essas mulheres, Me senti em meio a iguais.
Na verdade me consolei de que nós temos a chance ainda da transformação de fazer diferente, de estar de novo possibilitadas a recomeçar.
Recomeçar é sempre bom e sempre ruim, pois envolve a idéia de novidade, mas envolve também a idéia de insegurança.
Estou recomeçando cheia de vontade, desejos, ideias, mas também com um grande friozinho na barriga.
Fernando Pessoa já disse e eu já repeti milhares de vezes:
"Navegar é preciso,
viver não é preciso..."
Lá vou eu navegar por mares desconhecidos...
26 de março de 2011
23 de março de 2011
O perfil Câncer de Mama
Andei "viajando" por outros blogs de mulheres que como eu tiveram câncer de mama e tive uma surpresa ao me identificar com cada uma delas. A identificação não vem da doença e sim da forma como se comunicam, do estilo de vida, e da maneira de pensar.
O que vou dizer agora, não tem nada a ver com nenhum fator científico são especulações minhas a respeito do tema.
Dos blogs que eu visitei, não encontrei nenhuma mulher sozinha, ou eram casadas, ou tinham namorado, a maioria é mãe, tem algumas jovens que ainda não são, mas se Deus quiser vencerão a doença e ainda serão. Tem mais de um filho, não raro três. Referem que recebem muito amor e muito apoio de marido, filhos e amigos.
Ou seja são pessoas "populares", de muitos amigos, que fazem de tudo para todos também.
Daí já viu, né? Comecei a pensar...
Quando fiquei doente, fiquei tentando achar uma explicação. Não raras vezes ouvi que o câncer é associado a depressão. Eu mesma julgava assim, acreditava que era uma forma de "suicídio inconsciente", que por alguma razão a pessoa estava com vontade de morrer.
No meu caso fiquei até bem pouco tempo buscando o motivo dessa tal vontade inconsciente e não encontrei ela em lugar nenhum. Quero muito viver e viver bem e isso não é pecado. Somos pressionados culturalmente a nos sentir responsáveis até pelo câncer que temos. Com certeza há um perfil, mas pasmem, é um perfil feliz, só que precisa de ajustes.
O que motiva então o câncer? Não existe uma unica causa, são muitos os fatores que agem nas nossas vidas e que fazem nosso organismo entrar em desequilíbrio. Pessoas que vivem muito para os outros e se olham pouco, que querem ajudar todos a sua volta e ajudam efetivamente, mas que em contrapartida muitas vezes não se ajudam.
Abnegação é muito bom, mas demais adoece. O seio tem um significado muito particular para uma mulher, pois é por ele que nutrimos a vida de nossos filhos e não raro de outros bebês que necessitam de leite materno. Eu mesma há vinte e tantos anos atrás fui ama de leite de mais dois bebês que nasceram prematuros e precisavam deste leite. Eram outros tempos não tínhamos a AIDS por aí e dar o seio era uma forma de ajuda a outras mães. Sempre tive muito leite e amamentei meus filhos até os dois anos de idade, em média, uns mais outros menos. O hábito de amamentar não se restringia somente aos meus filhos, muitas vezes eu fui literalmente uma "teta" para muitos que me cercavam. Me sentia na obrigação de ajudar, de ser suporte, de dar tudo de mim. E eis o erro: dar tudo. No meu ponto de vista nos esvaziamos tanto que falta energia para que possamos nos manter com saúde. Não raro também apesar de todos os nossos esforços em agradar a tudo e a todos nos decepcionamos quando colocamos o primeiro limite, aquele fundamental, para que continuemos vivas, somos rechaçadas e nos sentimos em desvantagem, daí para sentar no banquinho da vítima é um pulo. E se assumirmos esse papel então poderá ser o nosso fim, porque como vítimas não nos resta fazer nada a não ser posar de incompreendidas e lá se vai a oportunidade de crescer.
No meu caso perdi o seio para parar de amamentar sem critério. Hoje escolho o que eu quero nutrir. Não me sinto mais em desvantagem, consegui, com muita terapia a perceber que o que eu fiz foi válido em um determinado momento da minha vida e agora é hora de descobrir o momento de dar um beijo em mim.
Três anos seguidos, eu ouvi a mesma frase de um padre amigo e não entendia: - Filha dá um beijo em ti.
- Hoje compreendo Padre Sallet o que o senhor queria me dizer...
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