17 de fevereiro de 2018

Ezequiel

 Estou escrevendo esse post, na cama de um hospital, pois é novamente aqui me encontro...
Após dois tumores de mama, me apareceu um tumor no olho direito com o nome de Melanoma de coróide! Sim de novo! Foi um novo golpe! Porém, graças a Deus, descoberto a tempo para um nova cura! E é assim que estou enfrentando como uma nova oportunidade de cura. Está sendo difícil? Sim está, mas não vou tornar a minha dor maior do que ela deve ser.
Estou internada em São Paulo, único lugar no país onde há o tratamento para esse tipo de tumor. É um tipo raro de câncer... Até agora, tudo bem, o tratamento é relativamente aceitável, braquiterapia, direta no olho com a implante de duas placas no olho, do tamanho de sementes, para receber a radiação durante quatro dias. O tratamento foi totalmente indolor até agora. Nesses quatro dias eu fico no isolamento podendo ver somente as enfermeiras...Visitas de cinco minutos no máximo; o marido pode me ver por breve instantes, mas isso já me alivia a solidão!
Eu sou uma pessoa que não gosta de estar sozinha, prefiro a casa cheia, fiquei ansiosa com a necessidade de isolamento...
Mas agora que está acontecendo, estou calma, tenho rezado bastante e Deus tem sido minha fortaleza. Já não tenho pensado tanto, procuro ir levando o que tem me acontecido com tolerância e oração.
Tenho para mim que além da força que vem da oração da minha família e amigos, há de fato a presença calma do Senhor.
Me explico, para não acharem que estou louca...
Chegamos em São Paulo, no domingo, dia 4/02, e pegamos um Uber, o motorista um rapaz negro de 22 anos, jogador de futebol, nos contou toda a desventura sofrida, foi enganado pelo empresário, não estava mais jogando e que seu sonho era retornar aos campos de futebol. Ao final da história disse que não sabia porque nos contou, pois é assunto muito difícil para ele...Fiquei comovida com a história e pensei em rezar por ele, e desejei no meu íntimo que tudo se resolva. Ele me lembra um pouco meu filho Gustavo. Pergunto seu nome e ele diz: Ezequiel. Achei lindo esse nome, mas não pensei que era algum recado de Deus...
Chegamos ao hotel e saímos para a missa, depois pegamos um novo Uber, desta vez o carro parou em uma esquina, onde a rua se chamava Ezequiel, daí fiquei curiosa, esse nome de novo??? Mas guardei no meu coração...
Hoje me veio a inspiração para pesquisar, o significado e procurar por Ezequiel 37, e dai tive certeza, Deus me mandava dizer que ele é a minha fortaleza e que me restabeleceria, apesar de ter que passar por vales escuros, eu não temeria, ele estava comigo! Lá no versículo 5 diz o seguinte:
Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.
Fiquei emocionada com essa palavra que reconstruiu em mim a minha fé e possibilitou a minha entrega total ao tratamento e ao momento em que eu estava inserida.
Daí por diante eu passei dias calmos na presença do Senhor que pairava no ar, me confortando e me servido de repouso. Ele prometeu reconstruir-me e eu estou tomando posse dessa palavra. Obrigada meu Deus!
Ah isso é só uma parte das delicadezas que ELE nos reservou durante essa aventura, tem outras, que eu vou contar em outro post...Vou chamá-lo de Maria deu o Sim pra mim!!!

2 de agosto de 2017

Conversa com Deus

O mal e o sofrimento
Leandro Gomes de Barros
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”
Tem coisa mais linda para se perguntar à Deus? Amei essa poesia declamada por Ariano Suassuna, quando perguntado se acreditava em Deus. Das certezas que me restam perto de completar cinquenta anos, a minha fé em um Deus bom e amoroso é a que guardo com mais carinho... Acho que é por isso que fiz pacto com a felicidade, na verdade tenho uma aliança com Deus e esse é o meu diferencial, Deus me abastece mesmo que eu muitas vezes não perceba.
Mas nos momentos difíceis, já pensei e confesso: Tanta gente ruim no mundo, porque eu??? Daí veio essa poesia me socorrer, Deus estava lá só temperando a vida, dando um toque de sabor e errou a mão... Quem nunca salgou o feijão? Queríamos aquela feijoada perfeita, e estava quase... Será dá para consertar feijão salgado? Dá mas requer tempo e paciência... Analogias à parte, o fato é que eu estava lá vivendo a minha vida de Facebook, só que de verdade, levando a vida feliz, colhendo alguns frutos e veio esse câncer de novo me atrapalhar! Eu não consegui escrever nada sobre... Não dava para acreditar...Mas foi de verdade e está quase acabando, terminei a quimioterapia no dia 26/07 e agora estou me preparando para a radioterapia e todos os exames pós tratamento; ou seja 2017, foi um ano de respirar para não pirar, porque tudo isso com certeza vai até o final do ano.
Resta  ainda trabalhar o orgulho de achar que o sofrimento vem por merecimento e dar conta dessa ilusão de controle louca que quer nos convencer que esse câncer quem fez, fomos nós mesmos, isso é o que mais eu ouço e até já concordei... Mas vivo uma fase de negação e não quero assumir por inteiro uma responsabilidade que no mínimo, não é só minha! Quando eu vi uma criança de três anos entrar na unidade de quimioterapia, eu tive a certeza: Deus só podia ter ido "temperar o choro e acabou salgando o pranto"...


24 de fevereiro de 2016

Varal

Há uma poesia nas roupas tremulando no varal.
Há a ausência dos corpos, mas o cheiro do amor ainda está lá...
Ah um varal colorido...
Quantos sentimentos...
Quantas lembranças dos tempos vividos dentro de cada roupa!
Quanto de amor pendurado, na lida de tantos e tantas!
Tudo me encanta, e o encantamento surge assim:
Simples e  colorido!

12 de janeiro de 2016

47 anos e desdobrável!

              Pois bem hoje é a véspera do meu aniversário, resolvi que iria escrever algumas linhas sobre o fato de eu insistir em existir.
        Eu estou de férias em um calor bem intenso nessa cidade que eu amo, a minha Porto Alegre. Estou com tempo disponível para refletir e arrumar armários, duas coisas que se retroalimentam, uma vez que arrumando um armário encontramos coisas passadas e o passado volta com força de presente.
         Em uma dessas arrumações encontrei uma caixa cheia de mensagens, mensagens que me foram escritas dias antes da minha cirurgia para retirada de um câncer (sim vai fazer 6 anos em abril!!!).
Fiquei umas duas horas lendo cada carta e cada bilhetinho. No final dessa aventura e tour pelo passado me coloquei a repensar o que me teria salvado daquela situação tão enlouquecedora.
        Acredito que em parte fui salva por meus defeitos.Tenho lutado  internamente para me livrar um pouco do orgulho e da vaidade da minha personalidade. Creio que esses dois somados me causam alguns estragos nos relacionamentos pessoais e profissionais. Desde que eu tive o câncer, tenho passado por uma processo lento de transformação da minha vida. Consegui muita coisa, meu sentimento em relação a mim mesma é, na maioria dos dias, de satisfação. Me sinto bem dentro da pessoa que tenho me tornado. Todavia não tenho como não deixar de reconhecer que o meu orgulho e a minha vaidade me salvaram, pois eu não sucumbi, não enlouqueci porque tratei o câncer como um grande inimigo com o qual lutei. Na minha luta decidi que eu não deixaria transparecer nenhuma brecha de fraqueza ou de dúvida. Eu queria matá-lo e esse pelo menos eu matei! Não estava me meus planos perder para ele, meu orgulho não deixaria.
     A vaidade me salvou nas minhas "aventuras travestis", onde eu tinha que lançar mão de muitos artifícios para permanecer me sentindo mulher. Valeu cada esforço! Valeu encarar os risos e os deboches, nada isso me afetava porque eu precisava era me sentir mulher e isso eu consegui. Não de graça porque para quem tem câncer tudo é muito caro (isso daria outro post), valeu cada real investido em perucas e cirurgias plásticas reparadoras. De sobra me tornei mais empática, hoje eu entendo muito a personagem Agrado do filme Tudo sobre minha mãe (vale a dica do filme).
       Mas não foi só isso que me salvou, teve também a fé em Deus, a entrega, a tentativa de perder o controle e de entregá-lo nas mãos de Deus, o que nem sempre foi fácil, não dá para mentir. Tive que me apoiar na fé de outros e isso em muitos momentos foi o que me sustentou. Lancei mão de toda ajuda possível, pedi orações, pedi a unção dos enfermos e  a comunhão em casa. Tudo para me manter calma e em conexão com Deus e com a sua força curadora.Valeu a pena cada prece entoada, esse foi o segredo maior da minha serenidade.
      Não só os céus me confortaram, também a humanidade me serviu de consolo. Louvo a capacidade humana de fazer a Arte. Também ela me devolveu à vida em muitos momentos. Encontrei consolo na poesia de Adélia Prado,  de Fernando Pessoa e de Mario Quintana. Nos romances carregados de ceticismo de Saramago e nos livros de auto ajuda (que paradoxo!), na efusão de cores e dramas dos filmes de Almodóvar e também nas produções de Hollywood. Nas músicas de Nando Reis, no som do The Killers ( e em em outros roqueiros) e também em algumas trilhas sertanejas. Tudo isso me proporcionou a seguinte constatação:

“Dor não tem nada a ver com amargura.
 Acho que tudo que acontece  é feito pra gente aprender cada vez mais, 
é pra ensinar a gente a viver. 
Desdobrável. 
Cada dia mais rica de humanidade”.                                                                                                             Adélia Prado      
                                  
     Ah esqueci! Teve também a força inigualável dos amores de todo o tipo, isso dará outro post...




26 de novembro de 2014

30 de outubro de 2014

As expectativas e seus excessos


Faz tempo que eu observo o quanto o excesso de expectativas nos traz infelicidade e nos atrapalha nos relacionamentos. Tenho falado muito disso no trabalho que realizo com noivos em preparação para o casamento e tento desmitificar essa vida cor de rosa que nos é apresentada.
A vida é muito mais "bege" do que se imagina.
Em geral as pessoas criam expectativas em cima de tudo, da vida profissional, da vida amorosa, da vida familiar... Quando as expectativas não se cumprem e falham,  o que vem é um grande sentimento de frustração. O fato é que esperamos de mais de tudo e de todos; fosse a vida um pouco mais leve e nós um pouco mais agradecidos, seria bem diferente.
Eu já fui a rainha das expectativas, estava sempre esperando um gesto de carinho, o reconhecimento do chefe, o reconhecimento da família... Até aí parece que não há problemas; o problema está no que a gente faz para não frustrar as expectativas... Nos agarramos na ilusão de que poderemos ser tão bons, mas tão bons que será inevitável ser reconhecido, mas "de verdade" não é isso que acontece.
A mídia nos ajuda a levantar o grau de expectativas, nos apresenta a família perfeita, o filho perfeito, a felicidade ao abrir uma lata de refrigerante... Nos vendendo que tudo é muito simples e que se a gente não consegue é porque não somos bons o suficiente. Quando descobrimos de que ninguém é tão bom e de que nós também não o somos, podemos lidar com uma felicidade um pouco mais baseada na realidade e mais possível de ser vivida.
Verdade mesmo é que a maior de todas as frustrações humanas é de que somos finitos, não há nada mais desapontador do que o fato de não sermos para sempre!
Conheço gente que vive como se fosse eterno...


6 de novembro de 2012

Marcas do que se foi...



É hora de ser feliz e deixar para trás tudo que já foi doloroso e que me fez sofrer. Deixar para trás não é esquecer, é simplesmente recomeçar...
Como foi difícil pensar nisso em se apropriar de um recomeço, em refazer tudo em mim e quando digo tudo claro que não é tudo, mas uma grande parte de mim se refez, se reconstruiu e quer se reintegrar.
A experiência de ser uma sobrevivente está para sempre marcada em mim. Tanto que fui buscar o significado desta palavra no dicionário e lá estava: aquele que escapou de morte ou ruína. 
É eu escapei!
Há pouco mais de sessenta dias da minha última cirurgia de reconstrução da mama está tudo ótimo comigo, sou grata pelo resultado. Porém as marcas estão ali no corpo e na alma, cicatrizes que não doem mais porque já não são feridas, mas que me lembram que agora já não são mais feridas e não há porque tratá-las como se estivessem abertas.
Estão fechadas, não há mais dor...
Sem dor a felicidade se torna algo possível novamente, os sonhos retomam seu lugar de honra, é possível voltar a sonhar, é possível voltar a realizar.
Descubro que não me encaixo mais em alguns espaços, quero buscar outros.
Descubro que quero novos cheiros, novas cores, novos desafios.
Descubro que me desapego fácil e que o que fui continuará para sempre em mim, mas posso ser outra e outras, descubro a pluralidade das minhas possibilidades!

6 de outubro de 2012

Poesia


Uma pequena e humilde adaptação da frase de Einstein: 
Há duas formas de ver a vida: 
A primeira é achar que na vida não há poesia nenhuma...
E a segunda é achar que tudo na vida é poesia...
Eu escolho a segunda ...

1 de outubro de 2012

Tudo novo de novo 2

Olá passados pouco mais de trinta dias da cirurgia, estou me sentindo muito bem, ainda com um pouco de dificuldade para dormir, porque é sempre a mesma posição (de barriga para cima).
 Está valendo muito a pena. Já passou um pouco da minha indignação em relação ao rompimento da prótese e acredito que o meu "encantamento está passando".
Encantamento porque tudo aconteceu neste processo de reconstrução...  Da perda da primeira prótese até o rompimento desta última, inúmeros sentimentos passam pela nossa cabeça, mas nenhum tira a vontade de sentir-se um mulher por inteiro novamente. Sei que alguns julgam bobagem afinal podemos viver sem um seio sem maiores problemas, em tese pelo menos. mas a cabeça da mulher não é assim o seio tem um significado muito particular, revela o nosso feminino e não há nada que substitua isso, pelo menos para mim é assim. Com certeza diversas mulheres continuam vivendo suas vidas, namorando, sendo amadas e felizes independente da mama. Mas eu quis "depois de tudo ainda ser feliz", muito feliz! E não desisti...

Fé e coragem para quem está em tratamento, tudo vale a pena!!!

8 de setembro de 2012

Intuição


Estava pensando o quanto as emoções interferem na minha vida e nos meus atos cotidianos.
Então cheguei a seguinte conclusão, preciso tentar e me esforçar para agir assim:

  • Seguindo o meu coração algumas vezes...
  • Seguindo a minha razão na maioria das vezes...
  • Seguir a minha intuição, sempre!

Toda vez que eu desprezo aquela vozinha interior sábia, mas para mim ainda pouco confiável eu me arrependo!
A intuição é a soma do meu coração com a minha razão, é quase como se um anjo estivesse soprando no meu ouvido...
A partir de agora vou tentar segui-la, vamos ver no que dá!

PS:
Estou muito bem o pós-operatório está seguindo a normalidade, em breve retornarei as minhas atividades cotidianas.

5 de setembro de 2012

A verdade em relação a mamografia e porque fazê-la mesmo com prótese...


Hoje tive consulta com a minha mastologista e ela me assegurou que é de extrema importância fazer a mamografia e que nenhum outro exame a substitui.
Levei um verdadeiro "xixi" dela, pois como ela mesmo disse qualquer um pode sair por aí escrevendo sobre o câncer de mama, inclusive eu, totalmente leiga no assunto me senti a vontade para dar conselhos via internet.
O que aprendi com tudo isso?

  1. Cada caso é um caso, não dá para tecer generalizações, pode ser que de fato a minha prótese tenha rompido durante a mamografia, mas este é um caso isolado.
  2. Confie na sua equipe médica, isso é tudo!
  3. Sai da consulta convencida em ser obediente às ordens médicas, afinal se estou curada é porque grande parte disso vem de um tratamento adequado no momento certo.
  4. Não darei mais pitacos em áreas na qual não sou especialista.
  5. Perdoem-me a impulsividade.
  6. A emoção é sempre péssima conselheira!

Portanto façam as suas mamografias periodicamente, isso fará a diferença entre viver e morrer e vamos dizer bem a verdade viver é o mais importante!

4 de setembro de 2012

Mastectomia radical e implante de silicone, cuidados com a mamografia



Faz um tempo que não escrevo sobre a origem deste blog, mas ela é muito concreta, o blog surgiu em decorrência ao câncer de mama que eu tive. Na verdade surgiu um pouquinho antes, mas este antes não tinha nada de muito significativo. Então estou encerrando uma outra etapa, onde as cirurgias são feitas para devolver um pouco da minha imagem corporal antes da doença. Realizei agora no dia 28 de agosto a cirurgia para colocação do bico e mamilo, preenchimento do decote com gordura e tudo mais para deixar um tanto parecido com o que era.
O fato é que antes de fazer a cirurgia durante os exames de rotina descobri que minha prótese estava rompida. fato que me deixou bastante decepcionada e me senti em processo de regressão. Fiquei absurdamente chateada e pensativa sobre o fato, quem me acompanha desde o início sabe que já realizei diversos procedimentos cirúrgicos e alguns de fato não tiveram sucesso. Romper a prótese era uma pouco demais!
Foi então que a minha intuição me disse, meu médico confirmou e o Dr. Google fundamentou, sim o exame mamográfico pode romper a prótese. Tenho quase plena certeza disso...
E hoje quero alertar a todas as mulheres que seguem o meu blog e passam pela mesma situação que eu, ou seja, já fizeram mastectomia radical e colocaram prótese de silicone:  não façam mamografias nesta mama que não tem mais tecido mamário para proteger a prótese! Peçam aos seus médicos que solicitem a ressonância magnética, a ecografia mamária, ou outro exame que não seja tão violento na pressão. Talvez o que ocorreu comigo sirva para evitar que outras situações como esta ocorram. Sinto-me no dever de alertar para essa possibilidade. As clínicas de diagnóstico são diferentes, algumas tem todo o cuidado e te explicam que existe a possibilidade de rompimento, outras não são tão cuidadosas e não possuem técnicos tão qualificados. É melhor não arriscar...
O meu cirurgião confirmou que a prótese estava partida ao meio inclusive fotografou para me mostrar. tiveram que lavar bem a cavidade onde a prótese estava inserida e foi mais complicado, algo que poderia ter sido evitado.
A minha cirurgia poderia ter sido bem mais simples, eu poderia não entrar tão estressada porque eu já tinha em mim o fantasma da rejeição da primeira prótese.
Passados alguns dias, o resultado está excelente, mas preciso me cuidar ainda, para que a cicatrização seja muito boa.
Portanto eu agora digito somente com  a mão direita é bom não arriscar! Vou ter que fica sem dirigir por mais algum tempo e afastada do trabalho mais do que eu esperava.
MAS ESTÁ VALENDO A PENA!!!
Sinto-me uma mulher inteira novamente, e isso não tem como explicar...
Ouço muito as pessoas dizerem que o que importa é que eu estou curada, de fato isso é o que importa!
Mas uma vez curada, quero qualidade de vida, quero sentir-me em paz com minhas emoções e com tudo que diretamente me afeta.
Para encerrar quero compartilhar a oração de Santo Agostinho, que foi o meu santo protetor no dia da cirurgia, pois dia 28 de agosto é o dia dele; a oração é linda demais!!!


Oração a Santo Agostinho


Tarde vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, Tarde vos amei! 
Eis que habitáveis dentro de mim, e eu lá fora procurando-vos! 
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. 
Estáveis comigo, e eu não 
estava convosco!

 Retinha-me longe de Vós aquilo que não existia se não existisse em Vós. 

Porém, chamastes-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez!

 Brilhastes, cintilantes, e logo afugentastes a minha cegueira! 

Exalastes perfume: Respirei-o suspirando por Vós. 

Tocastes-me e ardi no desejo de Vossa paz!

 Só na grandeza de Vossa misericórdia coloco toda a minha esperança. 

Dai-me o que me ordenais, e ordenai-me o que quiserdes.
 
AMÉM



19 de agosto de 2012

Venha!

Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...
Renato Russo

15 de julho de 2012

A presença de uma ausência


Ontem fui ao aniversário de quinze anos da irmã da minha norinha Alexandra e me emocionei muito com a retrospectiva que fizeram dos melhores momentos da vida da família. Até aí nada de muito novo, choro mesmo por qualquer coisa, mas o que mais me tocou foi a homenagem feita ao pai da aniversariante que morreu quando ela tinha apenas dois aninhos. Pois é passados treze anos, nada substituiu a falta dessa presença, na verdade eu penso que quando perdemos alguém ficamos com esse sentimento que eu chamo de "presença da ausência"...
A ausência de pessoas queridas é muito mais sentida quando nos reunimos com todos aqueles que nos são significativos, com alguma sorte você terá poucas ausências, mas quando o vazio é deveras numeroso, ou quando é deveras significativo, sinto que o sentimento é aliviado pelas boas lembranças que esta pessoa ausente nos deixou.
As lembranças servem para que a gente não esqueça e quando não nos esquecemos as pessoas continuam vivas junto de nós.
O sentimento de saudade não é nada gostoso, de fato dói muito sentir a falta de alguém que amamos muito, mas pior seria a falta da saudade, a indiferença com a partida ou até mesmo o alívio que alguns podem dar às  pessoas com o seu desaparecimento.
De que vale viver a vida?
Vale por aquilo que deixamos, pelo amor que espalhamos, pelas pessoas com as quais nos deram o grande privilégio de dividir conosco a sua história.
Quem muito vive tem muito do que se lembrar e muito para ser lembrado.
Um dia seremos essa simples "presença na ausência", seremos só lembrança...
Tomara que sejamos lembrados!

5 de maio de 2012

Ratoeira





No sábado passado para aproveitar o dia do trabalhador fui viajar com o meu marido para Santa Catarina, saímos de casa bem cedinho para pegar a estrada. Ao chegar na esquina das ruas Bento Gonçalves com Aparício Borges me deparei com aquele olhar que me deixou muito intrigada. 
O dono do olhar era um guri de no máximo 20 anos, bastante magro, roupa suja, mas não era velha. Pela aparência do rapaz fiquei pensando que se tratava de um morador de rua recente, não foram mais que dois minutos de observação para criar na minha cabeça várias hipóteses a respeito daquela vida. Mas a primeira hipótese que me veio foi de que se tratava de um usuário de crack. 
Pensei nisso... 
Como eu poderia ter certeza disso? 
Mas novamente o observei e então vi seus dentes, seu cabelo, e percebi que não eram de alguém que mora na rua há bastante tempo. 
Observei o olhar e esse é inconfundível , é um olhar de zumbi, de alguém que está no limite entre "o lado de cá e o de lá".
Pensei na sua família, será que saberiam o seu paradeiro? 
Pensei no seu futuro, que futuro numa situação dessas? 
Pensei se aquele era um problema pelo qual eu deveria me preocupar... Uma vez que estava saindo para passear.
Foi daí que lembrei de uma  história, que me foi contada pelos alunos da escola onde eu trabalho, e é ela que eu transcrevo agora, para que eu possa pensar bastante a respeito.
"RATOEIRA
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: 
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!! 
A galinha, disse: 
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, 
mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e lhe disse: 
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !!!
- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse: 
- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não !
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. 
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro,ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. 
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. 
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco. 
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo. 


Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. 
O problema de um é problema de todos.



Durante nosso trajeto de carro contei a história para o meu marido e ficamos pensando ...
Primeiro nas escolhas da juventude...
Pensamos também nos nossos filhos, que estão vivendo neste meio, não como usuários, graças a Deus, mas muitas vezes como amigos de um ou outro jovem que não resiste e cai na armadilha das drogas, e esta é uma ratoeira e tanto.
Não dá para fingir que não é conosco. 
Sempre é.



19 de março de 2012

Só um bife ...


Estamos vivendo o tempo da quaresma, que é um tempo de espera. Um tempo de aquietar o coração, deixar de lado certas vaidades, libertar-se do orgulho e é tempo também de renúncia. Ok tudo isso para quem é cristão e acredita na ressureição de Cristo, como é o meu caso.
Escolhi uma renúncia concreta muito simples, mas deveras difícil de cumprir porque sou uma pessoa muito "carnívora", deixei de lado a ingestão diária de carne vermelha. Tem sido bem difícil sentar à mesa e escolher um franguinho ao invés de um bife suculento e mal passado. O que será que isso concretamente melhorará na minha vida e na minha pessoa é o que diariamente me pergunto e após refletir algum tempo me vem a resposta: isto me ajuda a ser senhora dos meus desejos, puxa vida isso não é pouco! Escolher o que vou renunciar me faz sentir uma pessoa mais equilibrada, não sou vítima das minhas vontades, elas de fato existem e são bem mais complexas que um bife mal passado, desde que eu não esteja com fome, porque com fome tudo perde a sua urgência e a sua subjetividade. Quando escolho o frango, percebo que também posso escolher a paciência ao invés da agressão, percebo que é possível deixar de lado as minhas impressões a respeito de um determinado assunto e tentar ver os fatos por outro ponto de vista, isto me faz mais tolerante comigo mesma e com quem me rodeia. Isso faz o meu coração estar melhor preparado para a Páscoa.
Veja bem... é só um bife, mas quanta coisa ele está me ensinando ...

3 de fevereiro de 2012

Cronologia do corpo

Oi gente!
Resolvi fazer esse post para me dar conta do processo físico que vivi nestes últimos dois anos.
Foi uma verdadeira revolução em todos os aspectos, minha vida mudou de rumo totalmente e me levou junto...
Foi uma metamorfose impressionante.
O meu corpo mudou totalmente.
Do ponto de vista físico me senti devastada.
Passei por tudo: perdi cabelo, engordei, fiquei inchada, debilitada, etc...
E o que me impressiona é a capacidade que o corpo tem de se refazer e aos poucos isso está ocorrendo, graças a Deus!
Às vezes fico incomodada pelas cicatrizes do meu corpo, que não são poucas. Mas esses dias eu li que as cicatrizes são as marcas da cura. Corte que não cicatriza, não está curado. Então minhas marcas de cura estão pelo corpo, dizendo aquilo que eu já sei ...
De tudo fica a certeza da vitória. Para continuar vivendo, valeu todo sacrifício!



22/04/2010:  Dias antes da primeira cirurgia para retirada do tumor.


09/05/2010: Pós cirúrgico



31/05/2010: Antes do terceiro procedimento cirúrgico, onde tive que retirar a prótese pois não se adaptou ao meu corpo naquele momento.




08/2010: Primeiros ensaios antes de raspar a cabeça.


Setembro/2010: Visual de peruca, tentando não engordar tanto, mesmo assim ganhei 15 kg.




30/11/2010: Final do tratamento: estafa e inchaço geral


13/01/2011 Primeira taça de espumante: meu "niver" pós término do tratamento.


 Fevereiro de 2011
Março de 2011

Julho/2011
agosto/2011

Agosto/2011

setembro/2011

agosto/2011


Outubro/2011
Formatura do filhão: setembro/2011


Novembro/2011


Dezembro/2011




Dezembro de 2011



Janeiro de 2012


28 de janeiro de 2012

Sobre as renúncias....


Ontem eu assisti ao filme "Os descendentes", com o ótimo George Clooney. O filme é um drama que nos faz pensar sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida e daquelas que temos que fazer no final de uma vida. Às vezes é preciso escolher também por aqueles que amamos.
O filme é uma história linda sobre escolhas, ética, principalmente sobre ética e amor, principalmente sobre escolhas.
Um pouco da trama: o  personagem de George Clooney descobre que foi traído por sua esposa que agora encontra-se em um coma irreversível, portanto não há o que fazer, não tem como pedir explicações.  Então ele escolhe não se deixar levar por um sentimento revanchista, ele escolhe ser fiel ao seu amor, inclusive indo atrás do amante para que esse possa se despedir da esposa. É fato que ele não é nenhum santinho, o personagem se dá conta que de certa forma também era responsável por aquele caso da esposa. Não vou contar o que acontece para não perder a graça de quem ainda não assistiu, mas vou relatar a cena mais linda do filme: o personagem de George Clooney precisa se despedir da sua infiel esposa, e este é um momento cheio de puro amor, ou de um "amor puro", chega próximo dela, e beija-lhe a boca semi-morta, apenas um sopro de vida a mantém neste mundo e então ele se despede revelando-lhe todo o seu amor, nada de cobranças, nada de julgamentos... Apenas amor e que amor!
Acho que a vida  pode ser simples assim, mas a graça ou a desgraça dela está nas complicações que inevitavelmente todos passam ou buscam.
A morte nos devolve a simplicidade inicial, de fato todos nós vamos um dia morrer e não tem nada mais simples que isso. Não vale a pena se apegar demasiadamente à pessoas, fatos e coisas. Só poderemos levar a nossa memória, aquilo que vivemos e pelo qual lutamos: a nossa essência.
Sai do cinema muito impactada com a história. É uma ficção eu sei, mas ficção de uma coisa real. Não há nada mais real do que escolhas atrapalhadas. Em uma escolha não pensada, as consequências não são medidas e os estragos também não. Para cada escolha uma renúncia, já diz um sábio ditado.
Simples? Claro que não, renunciar é muito difícil, às vezes se quer tudo junto ao mesmo tempo e misturado.
Queremos um amor para vida inteira, porém somos fãs da novidade.
Queremos trabalho e um bom dinheiro no bolso, porém queremos vida em família, tempo para o lazer, etc,etc...
Queremos perdoar, mas é muito difícil renunciar ao orgulho.
E por aí vai uma lista infindável ...Pensar sobre ela é preciso, encontrar um equilíbrio também.
É preciso escolher, não há jeito, não dá para passar a vida inteira esperando a decisão de outros.
Não dá para esquecer: para cada escolha uma renúncia...

14 de janeiro de 2012

Adaptar-se ou rebelar-se?


Sobrevive quem melhor se adapta, já dizia Charles Darwin, eu penso que sobrevive quem se adapta as circunstâncias da vida sem se tornar vítima das mesmas.
Alguns fatos só necessitam de acolhimento.
Nosso desejo de controle é o que existe de mais perigoso e enlouquecedor.
Não controlamos nosso relógio biológico, que não para de girar, não seremos jovens para sempre, nem adultos... Seremos velhos, e que benção é ser velho, uma vez que teremos tido uma vida inteirinha para lembrar.
Também diante da morte há outra saída que não seja a aceitação? Todo o nosso pensamento positivo e a nossa fé se limitam quando nos deparamos com a morte.
Na vida não controlamos nada a nossa volta. Tudo é graça, tudo é benção. Esperar pelas borboletas: sim! Mas elas só chegarão em um jardim florido.
A única tecla de controle que possuímos é a da nossa própria existência ( e olhe lá), não alcançamos o outro, nem modificamos os fatos, certas coisas por mais que nos desagradem não temos o poder de mudar. Podemos sim modificarmos a nós mesmos e aceitar o que nos chega com tranquilidade e fé, inclusive a nossa própria história. Isso não significa que devemos nos acomodar em situações medíocres,  definitivamente não!!! Temos vontade, desejo e estes devem nos mover em direção ao nosso auto cuidado, não devemos ficar em relacionamentos e projetos que nos torturam, isso seria masoquismo e conscientemente acho eu que ninguém gosta de sofrer.
Equilíbrio é a palavra chave: um pouco de protagonismo aliado a um pouco de adaptação daquilo que não nos cabe controlar, tem chance de nos trazer paz de espírito, muito amor e muita felicidade. Acho que a melhor definição deste equilíbrio seria: aprender a fazer do limão uma limonada.
Será?
Estou pensando também...

GISELE

                                                                                                                                         ...