17 de julho de 2012
15 de julho de 2012
A presença de uma ausência
Ontem fui ao aniversário de quinze anos da irmã da minha norinha Alexandra e me emocionei muito com a retrospectiva que fizeram dos melhores momentos da vida da família. Até aí nada de muito novo, choro mesmo por qualquer coisa, mas o que mais me tocou foi a homenagem feita ao pai da aniversariante que morreu quando ela tinha apenas dois aninhos. Pois é passados treze anos, nada substituiu a falta dessa presença, na verdade eu penso que quando perdemos alguém ficamos com esse sentimento que eu chamo de "presença da ausência"...
A ausência de pessoas queridas é muito mais sentida quando nos reunimos com todos aqueles que nos são significativos, com alguma sorte você terá poucas ausências, mas quando o vazio é deveras numeroso, ou quando é deveras significativo, sinto que o sentimento é aliviado pelas boas lembranças que esta pessoa ausente nos deixou.
As lembranças servem para que a gente não esqueça e quando não nos esquecemos as pessoas continuam vivas junto de nós.
O sentimento de saudade não é nada gostoso, de fato dói muito sentir a falta de alguém que amamos muito, mas pior seria a falta da saudade, a indiferença com a partida ou até mesmo o alívio que alguns podem dar às pessoas com o seu desaparecimento.
De que vale viver a vida?
Vale por aquilo que deixamos, pelo amor que espalhamos, pelas pessoas com as quais nos deram o grande privilégio de dividir conosco a sua história.
Quem muito vive tem muito do que se lembrar e muito para ser lembrado.
Um dia seremos essa simples "presença na ausência", seremos só lembrança...
5 de maio de 2012
Ratoeira
No sábado passado para aproveitar o dia do trabalhador fui viajar com o meu marido para Santa Catarina, saímos de casa bem cedinho para pegar a estrada. Ao chegar na esquina das ruas Bento Gonçalves com Aparício Borges me deparei com aquele olhar que me deixou muito intrigada.
O dono do olhar era um guri de no máximo 20 anos, bastante magro, roupa suja, mas não era velha. Pela aparência do rapaz fiquei pensando que se tratava de um morador de rua recente, não foram mais que dois minutos de observação para criar na minha cabeça várias hipóteses a respeito daquela vida. Mas a primeira hipótese que me veio foi de que se tratava de um usuário de crack.
Pensei nisso...
Como eu poderia ter certeza disso?
Mas novamente o observei e então vi seus dentes, seu cabelo, e percebi que não eram de alguém que mora na rua há bastante tempo.
Observei o olhar e esse é inconfundível , é um olhar de zumbi, de alguém que está no limite entre "o lado de cá e o de lá".
Pensei na sua família, será que saberiam o seu paradeiro?
Pensei no seu futuro, que futuro numa situação dessas?
Pensei se aquele era um problema pelo qual eu deveria me preocupar... Uma vez que estava saindo para passear.
Foi daí que lembrei de uma história, que me foi contada pelos alunos da escola onde eu trabalho, e é ela que eu transcrevo agora, para que eu possa pensar bastante a respeito.
"RATOEIRA"
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!!
A galinha, disse:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor,
mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e lhe disse:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !!!
- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse:
- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não !
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro,ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.
O problema de um é problema de todos.
Durante nosso trajeto de carro contei a história para o meu marido e ficamos pensando ...
Primeiro nas escolhas da juventude...
Pensamos também nos nossos filhos, que estão vivendo neste meio, não como usuários, graças a Deus, mas muitas vezes como amigos de um ou outro jovem que não resiste e cai na armadilha das drogas, e esta é uma ratoeira e tanto.
Não dá para fingir que não é conosco.
Sempre é.
19 de março de 2012
Só um bife ...
Estamos vivendo o tempo da quaresma, que é um tempo de espera. Um tempo de aquietar o coração, deixar de lado certas vaidades, libertar-se do orgulho e é tempo também de renúncia. Ok tudo isso para quem é cristão e acredita na ressureição de Cristo, como é o meu caso.
Escolhi uma renúncia concreta muito simples, mas deveras difícil de cumprir porque sou uma pessoa muito "carnívora", deixei de lado a ingestão diária de carne vermelha. Tem sido bem difícil sentar à mesa e escolher um franguinho ao invés de um bife suculento e mal passado. O que será que isso concretamente melhorará na minha vida e na minha pessoa é o que diariamente me pergunto e após refletir algum tempo me vem a resposta: isto me ajuda a ser senhora dos meus desejos, puxa vida isso não é pouco! Escolher o que vou renunciar me faz sentir uma pessoa mais equilibrada, não sou vítima das minhas vontades, elas de fato existem e são bem mais complexas que um bife mal passado, desde que eu não esteja com fome, porque com fome tudo perde a sua urgência e a sua subjetividade. Quando escolho o frango, percebo que também posso escolher a paciência ao invés da agressão, percebo que é possível deixar de lado as minhas impressões a respeito de um determinado assunto e tentar ver os fatos por outro ponto de vista, isto me faz mais tolerante comigo mesma e com quem me rodeia. Isso faz o meu coração estar melhor preparado para a Páscoa.
Veja bem... é só um bife, mas quanta coisa ele está me ensinando ...
3 de fevereiro de 2012
Cronologia do corpo
Oi gente!
Resolvi fazer esse post para me dar conta do processo físico que vivi nestes últimos dois anos.
Foi uma verdadeira revolução em todos os aspectos, minha vida mudou de rumo totalmente e me levou junto...
Foi uma metamorfose impressionante.
O meu corpo mudou totalmente.
Do ponto de vista físico me senti devastada.
Passei por tudo: perdi cabelo, engordei, fiquei inchada, debilitada, etc...
E o que me impressiona é a capacidade que o corpo tem de se refazer e aos poucos isso está ocorrendo, graças a Deus!
Às vezes fico incomodada pelas cicatrizes do meu corpo, que não são poucas. Mas esses dias eu li que as cicatrizes são as marcas da cura. Corte que não cicatriza, não está curado. Então minhas marcas de cura estão pelo corpo, dizendo aquilo que eu já sei ...
De tudo fica a certeza da vitória. Para continuar vivendo, valeu todo sacrifício!
Resolvi fazer esse post para me dar conta do processo físico que vivi nestes últimos dois anos.
Foi uma verdadeira revolução em todos os aspectos, minha vida mudou de rumo totalmente e me levou junto...
Foi uma metamorfose impressionante.
O meu corpo mudou totalmente.
Do ponto de vista físico me senti devastada.
Passei por tudo: perdi cabelo, engordei, fiquei inchada, debilitada, etc...
E o que me impressiona é a capacidade que o corpo tem de se refazer e aos poucos isso está ocorrendo, graças a Deus!
Às vezes fico incomodada pelas cicatrizes do meu corpo, que não são poucas. Mas esses dias eu li que as cicatrizes são as marcas da cura. Corte que não cicatriza, não está curado. Então minhas marcas de cura estão pelo corpo, dizendo aquilo que eu já sei ...
De tudo fica a certeza da vitória. Para continuar vivendo, valeu todo sacrifício!
22/04/2010: Dias antes da primeira cirurgia para retirada do tumor.
09/05/2010: Pós cirúrgico
31/05/2010: Antes do terceiro procedimento cirúrgico, onde tive que retirar a prótese pois não se adaptou ao meu corpo naquele momento.
08/2010: Primeiros ensaios antes de raspar a cabeça.
Setembro/2010: Visual de peruca, tentando não engordar tanto, mesmo assim ganhei 15 kg.
30/11/2010: Final do tratamento: estafa e inchaço geral
13/01/2011 Primeira taça de espumante: meu "niver" pós término do tratamento.
Fevereiro de 2011
Março de 2011
Julho/2011
agosto/2011
Agosto/2011
setembro/2011
agosto/2011
Outubro/2011
Formatura do filhão: setembro/2011
Novembro/2011
Dezembro/2011
Dezembro de 2011
Janeiro de 2012
28 de janeiro de 2012
Sobre as renúncias....
Ontem eu assisti ao filme "Os descendentes", com o ótimo George Clooney. O filme é um drama que nos faz pensar sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida e daquelas que temos que fazer no final de uma vida. Às vezes é preciso escolher também por aqueles que amamos.
O filme é uma história linda sobre escolhas, ética, principalmente sobre ética e amor, principalmente sobre escolhas.
Um pouco da trama: o personagem de George Clooney descobre que foi traído por sua esposa que agora encontra-se em um coma irreversível, portanto não há o que fazer, não tem como pedir explicações. Então ele escolhe não se deixar levar por um sentimento revanchista, ele escolhe ser fiel ao seu amor, inclusive indo atrás do amante para que esse possa se despedir da esposa. É fato que ele não é nenhum santinho, o personagem se dá conta que de certa forma também era responsável por aquele caso da esposa. Não vou contar o que acontece para não perder a graça de quem ainda não assistiu, mas vou relatar a cena mais linda do filme: o personagem de George Clooney precisa se despedir da sua infiel esposa, e este é um momento cheio de puro amor, ou de um "amor puro", chega próximo dela, e beija-lhe a boca semi-morta, apenas um sopro de vida a mantém neste mundo e então ele se despede revelando-lhe todo o seu amor, nada de cobranças, nada de julgamentos... Apenas amor e que amor!
Acho que a vida pode ser simples assim, mas a graça ou a desgraça dela está nas complicações que inevitavelmente todos passam ou buscam.
A morte nos devolve a simplicidade inicial, de fato todos nós vamos um dia morrer e não tem nada mais simples que isso. Não vale a pena se apegar demasiadamente à pessoas, fatos e coisas. Só poderemos levar a nossa memória, aquilo que vivemos e pelo qual lutamos: a nossa essência.
Sai do cinema muito impactada com a história. É uma ficção eu sei, mas ficção de uma coisa real. Não há nada mais real do que escolhas atrapalhadas. Em uma escolha não pensada, as consequências não são medidas e os estragos também não. Para cada escolha uma renúncia, já diz um sábio ditado.
Simples? Claro que não, renunciar é muito difícil, às vezes se quer tudo junto ao mesmo tempo e misturado.
Queremos um amor para vida inteira, porém somos fãs da novidade.
Queremos trabalho e um bom dinheiro no bolso, porém queremos vida em família, tempo para o lazer, etc,etc...
Queremos perdoar, mas é muito difícil renunciar ao orgulho.
E por aí vai uma lista infindável ...Pensar sobre ela é preciso, encontrar um equilíbrio também.
É preciso escolher, não há jeito, não dá para passar a vida inteira esperando a decisão de outros.
Não dá para esquecer: para cada escolha uma renúncia...
14 de janeiro de 2012
Adaptar-se ou rebelar-se?
Sobrevive quem melhor se adapta, já dizia Charles Darwin, eu penso que sobrevive quem se adapta as circunstâncias da vida sem se tornar vítima das mesmas.
Alguns fatos só necessitam de acolhimento.
Nosso desejo de controle é o que existe de mais perigoso e enlouquecedor.
Não controlamos nosso relógio biológico, que não para de girar, não seremos jovens para sempre, nem adultos... Seremos velhos, e que benção é ser velho, uma vez que teremos tido uma vida inteirinha para lembrar.
Também diante da morte há outra saída que não seja a aceitação? Todo o nosso pensamento positivo e a nossa fé se limitam quando nos deparamos com a morte.
Na vida não controlamos nada a nossa volta. Tudo é graça, tudo é benção. Esperar pelas borboletas: sim! Mas elas só chegarão em um jardim florido.
A única tecla de controle que possuímos é a da nossa própria existência ( e olhe lá), não alcançamos o outro, nem modificamos os fatos, certas coisas por mais que nos desagradem não temos o poder de mudar. Podemos sim modificarmos a nós mesmos e aceitar o que nos chega com tranquilidade e fé, inclusive a nossa própria história. Isso não significa que devemos nos acomodar em situações medíocres, definitivamente não!!! Temos vontade, desejo e estes devem nos mover em direção ao nosso auto cuidado, não devemos ficar em relacionamentos e projetos que nos torturam, isso seria masoquismo e conscientemente acho eu que ninguém gosta de sofrer.
Equilíbrio é a palavra chave: um pouco de protagonismo aliado a um pouco de adaptação daquilo que não nos cabe controlar, tem chance de nos trazer paz de espírito, muito amor e muita felicidade. Acho que a melhor definição deste equilíbrio seria: aprender a fazer do limão uma limonada.
Será?
Estou pensando também...
2 de janeiro de 2012
21 de dezembro de 2011
É quase Natal!
É quase Natal, você já fez sua lista de presentes?
Montou sua árvore de Natal?
Quais são os presentes que vão constar na sua árvore, como está enfeitada?
Na minha árvore coloquei muitas bolas de amor vermelhas, um amor colorido alegre, cheio de vida!
Também busquei algumas bolas verdes responsáveis em prover a esperança, algumas azuis responsáveis em nos lembrar que o Espírito Santo deve estar presente na festa, algumas douradas, para lembrar que fantasia e magia são convidados especiais da noite, coloquei também bolas cor de rosa para abrigar os sonhos de 2012.
Ah e os meus presentes: meu amor, minha compreensão, meu desejo de tentar fazer feliz minha família, meus amigos e todos que fizeram parte deste ano, muito especial e também muito feliz.
Após muita tempestade me sinto renovada pela esperança do menino que vai nascer.
Que venha Jesus, meu coração te espera!
17 de dezembro de 2011
Se isso não é amor o que mais pode ser?
Fiquei esperando a inspiração chegar para iniciar este post, pensei:
- Afinal o que eu ainda não disse do meu marido e dos meus filhos?
Já revelei neste espaço todo o meu amor pelo meu Amor.
Já fui coruja diversas vezes de meus filhotes.
O que dizer então por ocasião da festa de minhas bodas de prata que ainda não foi dito?
Penso então que tenho só que agradecer a Deus a graça de ter encontrado essa pessoa especial que junto comigo formou uma linda família. Uma família unida que se ama e se respeita. Talvez alguém pergunte:
- Foi fácil?
Então será a oportunidade para responder que:
- Naaaaaaaão! Ter uma família, não é tarefa fácil, ter um amor que pretenda ser para a vida inteira, também dá um trabalho danado.
Não é assim que de repente as coisas acontecem, para que aconteçam é preciso dedicação, um pouco de sorte e uma dose irrestrita de bom humor.
Penso que talvez o segredo mais importante de qualquer relação seja o bom humor.
Já tentaram conviver com quem não tem humor? É tarefa das mais difíceis. Para mim é tarefa impossível.
Talvez essa seja a qualidade mais especial do Marcelo, ele sempre acha graça na desgraça e isso torna a nossa vida muito mais leve. Entre outras qualidades que não convém revelar, para não valorizar o seu passe (kkkkk), penso que esta seja a mais relevante e talvez a única que eu ainda não tenha revelado.
A foto acima é do nosso noivado, com ela, nossos filhos fizeram um quadro enorme para nos presentear.
Ahhhn! Não contei que "casei de novo", com direito a vestido novo, novas alianças e com os filhos entrando na igreja junto conosco. Foi uma cerimônia emocionante.
Nossos filhos fizeram a animação da missa e daí teve uma hora que as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto e logo em seguida a pular de dentro de mim, eu não conseguia parar de chorar, mas não era um choro ruim, era um choro de gratidão, um choro de agradecimento a Deus por me permitir estar vivendo aquele momento.
Enfim foi tudo muito lindo, durante a cerimônia renovamos o sacramento, fizemos de novo promessas de amor e fidelidade, tudo para aguentar mais 25 anos, se Deus permitir.
Agora me digam:
Se isso não é amor o que mais pode ser?
Estou aprendendo também!
1 de dezembro de 2011
Orgulho de mim mesma e vontade de viver
Hoje quero partilhar este sentimento de paz interior que tenho experimentado. Ontem fiz aniversário de término da quimioterapia e passado um ano do fim de um pesadelo me sinto em paz comigo mesma.
Me sinto em paz fisicamente,Claro tenho cicatrizes, mas estas não são mais "feridas abertas", são cicatrizes e vão permanecer comigo no corpo e na alma e não tem como apagar.
Durante este tempo que vivi sob um outro estado de vida, tive muitos momentos dolorosos, momentos em que eu achava que minha vida nunca mais retornaria ao que era antes da doença.
Realmente eu tinha razão minha vida se modificou e muito, mas para melhor. eu mudei muitas coisas nela, rompi com algumas convenções, passei a me escutar mais e a viver de acordo com aquilo que me agrada. Fiz novas alianças também, renovei votos, reconstruí meu corpo, reconstruí minha alma.
Quando olho hoje a minha vida sinto orgulho de mim mesma, orgulho por não ter usado a doença para ganhar amor, este veio e continuou comigo, apesar da doença.
Sinto-me forte quando me vejo cheia de projetos pessoais e com gás para realizá-los. Hoje já prefiro ser anônima da doença, ela não mais me identifica, só em alguns momentos, já não a revelo a muitas pessoas, enfim passou. Só revelo quando vejo que a minha vida servirá de incentivo, de força para alguém que está passando por uma crise e muitas vezes não consegue enxergar a luz no fim do túnel. Pois eu digo: a luz existe, na verdade, muita luz, um sol nos espera no fim do túnel.
Hoje meus dias são de sol, são iluminados pela minha fé, pela minha crença que venci, não tudo ainda, mas uma parte importante da minha existência.
Há em mim uma enorme vontade de viver e celebrar a vida e os meus amores. Estou em estado de celebração, em contagem regressiva às festas que se aproximam e que me enchem de alegria. Tenho pela frente as bodas de prata, o Natal, o Ano Novo e o meu Aniversário, ocasiões que buscarei celebrar com muita alegria e rodeada pelas pessoas que me são importantes. Tenho amigos da primeira e de última hora, todos fazem parte da minha história. que um dia chegará ao fim e quando isso acontecer espero poder dizer a frase de São Paulo:
"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé".
21 de novembro de 2011
15 de novembro de 2011
Ressignificar
Faz algum tempo que não tenho vontade de escrever, apesar da minha vida estar mais corrida, não estou em correria porque "hoje ando devagar porque já tive pressa de chegar", parafraseando Almir Satter. Essa nova vida faz eu até me esquecer daquilo que já passei. Mas o fato é que não quero esquecer, quero lembrar para partilhar que é possível viver grandes momentos de tristeza e mesmo assim tentar não enlouquecer tanto.
Na clínica Oncotrata estou participando do grupo de pacientes, só mulheres que como eu estão ou estiveram enfrentando o câncer e isso tem sido gratificante. Olhando as histórias de vida, umas bem tristes, outras alegres vamos nos encorajando. Nestas horas percebo que enlouqueci pouco, e isso não é mérito, não me sinto melhor nem pior que ninguém. O fato é que não tem como prever como cada um enfrentará essa aventura, só passando pela situação para saber qual será o nosso comportamento, cada um enfrenta com o que tem e como pode.
Estou neste momento me sentindo super bem, em paz com o meu corpo, já emagreci bastante: 9 kg, até agora, meu cabelo está bem bonito, meus exames ótimos, enfim minha vida voltando a ser vivida.
Em casa estou preparando a festa das minhas bodas de prata, escolhendo músicas, fotos para o telão e isso tem sido uma renovação do meu amor pelo meu marido e do dele por mim.
Na minha vida profissional estou trabalhando em uma escola e estou fazendo pós graduação em Psicopedagogia, na PUC, tem sido muito bom. Uma das disciplinas do curso propôs um trabalho bem legal: teríamos que escrever nossa história de vida até o momento em que escolhemos entrar para o curso, ou seja explicar os motivos que levaram a tomar tal decisão.
Ao me indagar porque escolhi a psicopedagogia, como um novo caminho, foi difícil responder. Porque demandou de mim uma reflexão, foi preciso me olhar e perceber o que isso afinal tem a ver comigo neste momento da minha vida? Momento este que além de reconstruções do corpo, já coloquei novamente uma prótese e estou em processo de reconstrução da mama, também estou fazendo reconstruções da minha vida, retomando rotinas de trabalho e de estudo. Na verdade tem a ver com reaprender, tem a ver com uma palavra que mexeu muito comigo nas leituras de todas as disciplinas até agora vistas: Ressignificar. Talvez seja essa a tarefa que eu preciso primeiro realizar em mim para depois ajudar outros e outras a realizarem: a ressignificação das próprias histórias.
Atualmente no meu trabalho quando exerço o cargo de supervisora e orientadora educacional eu me deparo com um paradoxo importante e que me chama muito a atenção: eu estou lá em uma atitude de escuta, buscando dar um encaminhamento, fazer uma mediação, enfim ajudar a realizar o processo educativo da melhor forma possível; porém, em muitos casos, quando as histórias de vida são bem piores que a minha me sinto “ajudada”. Tenho apreendido muito nesta relação e penso muito nas palavras da Alícia Fernandez, quando nos diz que ora somos ensinantes, ora somos aprendentes. É isso o que tem me motivado: um desejo imenso de ensinar, aliado a um desejo imenso de aprender.
Para encerrar mais um trecho da música Tocando em Frente de Almir Satter, que é o que estou fazendo e o que estou sentindo:
Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei
7 de novembro de 2011
Curiosamente no ano de 2010 não o coloquei. Não acho que seja Deus o responsável pelas minhas mazelas, mas ao me afastar do amor dele, fico mais vulnerável e foi isso que acredito que possibilitou um ano mais difícil.
Agora que tudo passou, só posso dizer que me sinto renovada a cada dia e com a certeza que sim o salmo é verdadeiro, pois se realizou comigo.
Vim de um final de semana de retiro em casal, fomos até a casa dos Freis Carmelitas aqui na Glória e passamos um dois dias em oração, foi uma experiência maravilhosa. Divido o salmo com quem precisa da confiança na sua vida.
Confie, Deus jamais falha!
Tu que habitas sob a proteção do Altissímo,
Que moras a sombra do Onípotente,Diz ao Senhor: "Sois meu refugío e minha cidadela,
meu Deus em quem eu confio".
É ele que te livrará do laço do caçador e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com suas plumas,
sob suas asas encontrarás refugio,
Sua fidelidade te será um escudo de proteção.
Tu não temerás os terrores noturnos,
nem a flecha que voa a luz do dia
nem a peste que se propaga nas trevas,
nem o mal que graça ao meio dia.
Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita:
tu não serás atingido.
Porém verás com teus própios olhos, contemplarás os castigo dos pecadores,
por que o Senhor é teu refúgio,
Escolheste por asilo o Altissímo.
Nenhum mal te atingirá, nenhum flagelo chegará à tua tenda,
por que aos seus anjos ele mandou,
que te guardem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão em suas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra.
Sobre sepernte e víbrora andarás,
calcarás aos pés o leão e o dragão.
"Pois que se uniu a mim, eu o livrarei,
e o protegerei, pois conhece o meu nome.
Quando me invocar eu o atenderei; na tribulação estarei com ele.
Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória.
Será favorecido de longos dias,
e eu lhe mostrarei a minha salvação.
2 de novembro de 2011
Sobre estrelas
Hoje é dia de lembrar quem não está mais conosco, pelo menos no plano material.
No meu caso são muitos os que eu já vi partir e isso dá uma saudade danada.
Na maioria das vezes pude me despedir dizer o quanto eu amava aquela pessoa e isso ajuda um pouco a enfrentar a falta desse pessoa na vida, lembramos das coisas boas, damos umas risadas e o que fica é o cheiro, a lembrança dos abraços, dos beijos e das palavras carinhosas e do olhar de despedida. Quem já se despediu de alguém que estava com câncer e sabia que ia morrer nunca mais esquece esse olhar de: "eu estou entendendo"...
Mas é fato também que alguns que partiram eu não esperava, eu ainda não tinha ideia sobre o que era enfim, isso que chamamos de morte, foram aquelas pessoas da minha família que morreram quando eu era ainda uma adolescente, foi meu padrinho que aos 38 anos resolveu que a vida não valia mais a pena ser vivida e se suicidou, uma pessoa que fez parte de toda a minha infância e da qual lembro coisas muito boas e não entendo como ele pode fazer isso até hoje. Foi meu avô que saiu para ver uma dor no peito e morreu no hospital de infarte aos 70 anos, foi o meu colega de trabalho que "atingido" por um aneurisma morreu de uma hora para outra e não deu tempo de dizer, olha você é um cara legal, entre tantos que enfim fazem parte de um curto espaço de tempo na minha história.
Na minha família de origem, a lei natural anda invertida há tempos. Gostaríamos de enterrar os mais velhos, mas conosco já enterramos quem ainda tinha muito o que viver e isso não é fácil de elaborar, requer um esforço, uma fé em algo que não pudemos ver e uma esperança inabalável. eu acho que é isso que sustenta no meu caso as minhas perdas sou possuidora destes três aspectos citados e isso me mantém de pé, com saudade sim, mas com muita esperança de um dia encontrá-los em outra dimensão.
Enterrar minha irmã e meu sobrinho, não foi nada fácil para mim, imagina para meus pais que enterraram a primeira filha e o primeiro neto em um espaço de 5 anos de intervalo entre uma e outra perda.
Tanto minha irmã, como meu sobrinho tinham filhos pequenos, tinham uma tarefa inacabada, difícil explicar às crianças que eles viraram estrelas, difícil para nós entendermos o porque de terem virado estrelas.
O que é fato é que vivemos como se fossemos imortais, alguns lidam melhor com a finitude humana, outros nem entenderam que ela existe.
Eu que já me deparei com ela de cara, penso e vivo cada momento como se fosse o último, digo o que tenho que dizer e tento a cada dia decidir: sou feliz agora.
Se eu consigo?
Muitas vezes sim, muitas vezes não, mas nem por isso vou parar de tentar.Decidir é metade do caminho.
Assim como não desisto de pensar em quem já se foi; não para viver no passado, mas para valorizar cada um que ajuda e ajudou a fazer a minha história, o fato de não estarem mais comigo é apenas um detalhe, há tantos que não morreram, mas que de fato não fazem mais parte da minha história de vida, por escolha minha ou deles.
Vai minha prece especial para: Tio Beto, vô Dirceu, Vó Leda, tio Ivan, minha madrinha Heloisa, Gisele, Nono, Karina, Alexandre, Vó Aracy...
Esqueci alguém? Provavelmente mas espero que todos estejam na Paz do Senhor Jesus, brilhando como estrelas no céu!
14 de outubro de 2011
Infância
Sobre o ser criança...
Como criança que fui e jamais deixarei de ser (tudo o que vivi na infância está dentro de mim) é gostoso lembrar de muitas coisas da minha vida. Das coisas que gosto de lembrar: a primeira bicicleta, verde da marca Caloi com guidão alto, das minhas bonecas Susi, das brincadeiras embaixo da árvore na casa das minhas amigas. Lá montávamos uma casa para as nossas Susis.Além das Susis também haviam as bonecas de papel, eu fazia coleção e como eu adorava isso. Assim como adoro lembrar os primeiros dias de aula, o cheiro da borracha, do livro novo. Isso tudo ainda está dentro de mim e quando eu por exemplo entro em uma livraria, lá vem os cheiros e os sentimentos da infância ...
Também tem o cheiro do leite quente na caneca de alumínio, cheiro que eu senti pela primeira vez quando fui visitar o Colégio Inácio Montanha, para cursar lá a segunda série. Cheiro inesquecível de escola grande, também jamais esqueci deste cheiro.
Cheiro de criança, é cheiro bom gostoso, de suor de brincadeira.
Agora que voltei ao trabalho e estou novamente no convívio dos pequenos, revivo em cada um a criança que um dia fui, desejo muito ajudá-los a viver esse tempo de fantasia, esse tempo contraditório, que tem muita coisa boa, mas que é deveras difícil de entender, pois as angústias são muitas e precisamos de adultos que não tenham deixado a sua criança sufocada para ajudá-los neste processo que se chama crescimento.
Crescer não é fácil, muitas vezes dói, na maioria eu diria. Nas brincadeiras a realidade dá lugar a uma fantasia, essa fantasia nos faz capaz momentaneamente de suportar o sofrimento daquilo que é real.
Quando eu brincava no meu faz de conta, minhas bonecas não adoeciam, ninguém da minha família morria, enfim, na brincadeira é o lugar onde podemos ser felizes para sempre. Essa esperança é necessária na vida adulta para lidarmos com as desventuras que inevitavelmente ocorrerão.
E isso continua na nossa vida adulta, precisamos retomar outros brinquedos, buscar outras fontes de prazer e de viver um pouco de fantasia. Não para virarmos esquizofrênicos mas para não virá-los, porque tem muito que pode nos enlouquecer.
Quando somos criança dói encontrar um lugar no grupo. Ainda hoje como adultos é preciso encontrar um lugar, pertencer a algo e isso não é tarefa fácil. Eu conheço pessoas que se sentem "peixes fora da água", talvez se tivessem tido a experiência de terem sido ajudadas na infância...
Talvez fosse mais fácil...
Quando somos criança dói quando nos ridicularizam e isso dói muito, que as crianças não saibam o quanto dói ser xingada, tudo bem cabe a nós ensiná-las, mas quando é um adulto que ridiculariza, eu logo desconfio, das suas frustrações e desejo de vingar a criança que outrora foi.
Quando criança amamos os professores ou podemos também odiá-los, porém precisamos amá-los e muito.
Os professores também precisam desse amor, um amor que lhes ajuda a seguir em frente em meio a tantos desafios que hoje nosso sistema educacional nos impõe.
Então neste próximo dia dos professores o meu desejo, do fundo do coração, é que hajam muitos professores de bem com a sua infância, só assim poderemos ajudar esses pequenos a serem felizes hoje e no futuro.
Cabe a nós uma parte das lembranças de uma infância feliz.
PS: Celebramos o dia da criança e o dia do professor no mesmo mês, por que será?
12 de outubro de 2011
Procurando Nemo e encontrando ajuda
Hoje assisti Procurando Nemo, um desenho animado, muito bom e para lá de especial.
Afinal no dia das crianças é bom deixar a nossa criança feliz, aquela que está sempre conosco, a nossa criança interna.
A maioria já deve ter assistido, mas a história é emocionante o filho que se perde do pai e vive uma grande aventura. O pai que sai a procura do filho e vive também uma grande aventura. É um desenho infantil, mas cheio de mensagens para nós adultos que achamos que a vida é precisa e que podemos sempre navegar por águas tranquilas.
Na verdade não é assim, a vida é cheia de inesperados e lidar com eles não é tarefa fácil, Nemo e o pai que o digam...
E eu me pergunto: o que faz um reencontrar o outro e suportar a ausência temporária e o afastamento?
Aí vejo que ao longo do filme, diversos personagens vão surgindo para estabelecer com eles relações de ajuda que farão com que eles consigam alcançar seus objetivos.
Na vida também é assim, em situações adversas a nossa vontade vamos encontrando pessoas pelo caminho que nos ajudam a vencer os medos e continuar a aventura, por mais difícil que ela seja.
A personagem Dory totalmente atrapalhada, mas também totalmente afetiva é minha favorita no quesito "ajuda", ela uma peixinha que esquece facilmente tudo, sabe desta dificuldade, mas não desisti de ajudar, mesmo dispondo de poucos recursos para fazê-lo, assume a tarefa de ajudar em uma missão quase impossível.
E agora cheguei no ponto que eu queria partilhar desde o início, na cena quase final onde o pai se reencontra com o filho, Dory é apanhada por uma rede de pescadores junto com vários outros peixes, e o que acontece então? Seria o fim para ela e Nemo resolveu ajudar de uma maneira totalmente corajosa mas eficaz, fazendo o grupo de peixes se unir e lutar por um mesmo objetivo, nadar para baixo e arrebentar a rede. O pai relutante pede que ele não faça, pois é quase impossível conseguir e Nemo então responde:
- Pai eu sei que consigo.
Isso se chama fé! tudo conspira contra mas há uma força que não explicamos de onde vem que nos diz que somos capazes de fazer a tarefa.
Porém a fé sozinha não resolve tudo é preciso ação, e então ele começa a incentivar os peixes a nadarem para baixo e conseguem arrebentar a rede.
Esse desenho me fez pensar muito nas coisas da vida e de quantas vezes escutamos que uma determinada coisa é impossível, ou quando às vezes achamos que não iremos conseguir.
Tem uma música do Charlie Brown Jr, que diz o seguinte:
"PARA QUEM TEM PENSAMENTO FORTE O IMPOSSÍVEL É SÓ QUESTÃO DE OPINIÃO E DISSO OS LOUCOS SABEM, SÓ OS LOUCOS SABEM..."
Com ela encerro este post.
29 de setembro de 2011
FELIZ POR TUDO!!!
Esse blog iniciou e progrediu relatando um momento de crise na minha vida, hoje é com alegria que posto e registro os últimos acontecimentos da minha vida que foram de muita alegria. Como eu já disse por aqui, foram momentos mais alegres e claro felizes, porém sempre me dispus apesar dos revezes que me foram apresentados continuar sendo feliz por nada.
Acabei de ler o livro da minha querida Martha Medeiros, onde o título é "FELIZ POR NADA", e recomendo muito. As crônicas publicadas, ora nos emocionam, ora nos fazem gargalhar. O que é defendido nas mesmas é isso: A felicidade é um estado de espírito, uma decisão de olhar para vida e continuar se encantando pela beleza do trivial, do simples e também do inusitado.
Não existem receitas para ser feliz, cada pessoa deve achar aquilo que vai mais de encontro com suas vontades. Porém sabemos se ainda estamos vivos e felizes, quando nos pegamos emocionados escutando uma música, vendo uma borboleta a voar, ou mesmo ouvindo o canto dos pássaros, ou quando vemos os nossos filhos sendo felizes pelas suas conquistas, ou mesmo quando vemos que enfim eles também são felizes por nada.
Hoje é um dia de "ser feliz por tudo", e vou explicar:
Meu filho Raphael se formou no inicio do mês, após 5 anos de curso, feitos a noite, porque durante o dia ele trabalhava.
Meu filho Fellipe coordenou um encontro de jovens e cumpriu de certa forma a missão do apelido que tinha quando pequeno: profeta. Pois é, meu pai sempre o chamou de profeta, pelo seu temperamento calmo e reflexivo.
Meu filho Gustavo está levando a ideia de ser médico bastante a sério, em uma dedicação aos estudos que me fascina e me encanta, apesar de seus 15 anos.
Meu marido Marcelo, está feliz como líder de uma equipe de vendas, sinto o brilho no seu olhar a cada conquista sua e de seus "pupilos".
E eu estou novamente no mercado de trabalho, exercendo uma função que eu adoro e voltei a universidade para um curso de pós graduação em psicopedagogia.
A alegria vem da certeza de que tudo concorrem para o bem daqueles que amam a Deus.
Sou feliz por tudo e por nada!
3 de setembro de 2011
"Quero ficar no teu corpo feito tatuagem, que é para te dar coragem.."
" Quero ficar no teu corpo feito tatuagem,
que é para te dar coragem,
para seguir viagem,
quando a noite vem..." Chico Buarque
Já faz uns dois meses que fiz uma tatuagem no meu pescoço.
Resolvi marcar deliberadamente meu corpo, foi uma iniciativa livre...
Ficou uma lindo desenho, uma borboleta, como eu já havia decidido desde o início da minha aventura.
Quando fiz me senti vitoriosa, corajosa e daí hoje achei esse verso de Chico Buarque que tem tudo a ver com os meus sentimentos do momento.
Historicamente há possibilidade das primeiras tatuagens existirem há milhares de anos. Dei uma pesquisada e verifiquei, que não há ainda uma única razão para marcar o corpo, mas diversos motivos ao longo dos anos foram sendo criados para justificar a prática.
Eu sempre achei que era coisa de bandido, de rebelde com ou sem causa e eu tinha muito preconceito, sempre fui muito contra tatuagens, piercings e outras coisitas mais, mas não há nada melhor na vida do que ser livre para mudar de ideia, basta que tenhamos um bom motivo e bom aqui, não é nenhuma tragédia, pelo contrário, fiz a tatoo para celebrar a vida, a mudança, a alegria.
Ainda hoje quando olho para algumas tatuagens ainda acho um tanto exageradas, mas a minha está maravilhosa, sem nenhuma falsa modéstia.
Me sinto jovem, renascida e para mim a borboleta tem o poder de representar essa metamorfose permanente da vida. "NADA É PERMANENTE EXCETO A MUDANÇA", não sei bem quem disse isso, mas estava com toda a razão e ainda está.
Fiz para continuar tendo coragem, para não esquecer que nada é para sempre, que tudo muda e muda o tempo todo. Portanto nada de deixar para depois o que eu posso fazer agora.
Fiz porque venci a guerra, e celebro a vitória da batalha, fiz porque outras guerras virão, sejam do tipo que for, mas quando olhar para a borboleta vou pensar, já venci uma vez, venço de novo!
Como diz Clarice Lispector: "Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade."
Mude por vontade própria, porque querendo ou não a mudança virá.
Com fé tudo se vence, e até aquilo que julgamos que foi uma mudança para pior pode se revelar uma benção, não resista, se entregue e viva como se esse momento fosse único.
29 de agosto de 2011
Caminhada das vitoriosas
No dia 21 de agosto passado participei finalmente da caminhada das vitoriosas. Quem não sabe o que é isso vou explicar: trata-se de um evento organizado pelo IMAMA, instituição que se preocupa com o tratamento e prevenção do câncer de mama.A caminhada tem como objetivo demonstrar que quando descoberto a tempo o câncer de mama é curável. O sentimento de participar é indescritível, pois encontrei diversas situações que mexeram muito comigo, a gente revive um pouco o que passou, verificando os cabelos, as fisionomias de quem está ainda em tratamento. Mas a alegria é muito grande, vitória é uma palavra que representa muito bem o que queremos, vitória sobre o câncer, vitória para continuar vivendo, amando sentindo.
A morte sabemos um dia chegará, mas não precisa ser agora, agora acho que ela vai me dar um tempinho, assim espero. Na verdade, o que me consola é que não sabemos, somos totalmente ignorantes a este fato e esse talvez seja o desespero mais íntimo que todos compartilhamos. Não importa de que, nem quando, mas um dia ela - a morte- vai bater na porta e todas as nossas ilusões de imortalidade irão por água abaixo.
É por isso que ninguém que tenha encontrado-a de frente continua sendo a mesma pessoa, duvido que isso aconteça.Não é que de uma hora para outra um Osama Bin Laden virará uma Madre Teresa de Calcutá, quando há falha no caráter, nem mesmo a morte tem o poder de modificar, porque psicopatas não a temem.
Eu como uma gente muito comum que sou, continua respeitando-a e quero sinceramente que ela me "erre".
Quero caminhar pela vitória, caminhar pela vida, caminhar pelas estradas, ainda por muitos e muitos anos.
A vida continua cor de rosa, olha só que ironia é a cor do IMAMA, e não tem cor que eu ame mais do que um cor de rosa choque.
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