22 de outubro de 2018
13 de outubro de 2018
A infância é a nossa pátria
A
infância é a nossa pátria
A nossa casa
ficava em uma rua sem calçamento, ladeada por casas simples, a maioria de
madeira, uma ou outra de alvenaria, algumas mais imponentes e bonitas, mas a
maioria muito simples. Os muros eram
baixos e os portões nunca ficavam cadeados, eram tempos em que a violência era
algo distante e não fazia parte do nosso dia a dia.
O cenário da
minha casa era muito simples, uma casa de tábuas verdes com um chão vermelho
encerado, um pátio com areia, cachorros, um pé de ameixa e dois pés de goiaba,
nos quais subíamos com frequência.
Éramos cinco
irmãos, quatro meninas, Gisele, Luciane, Patrícia e Tatiana e o último, Thiago,
o menino que meu pai tanto desejou. Sou
a segunda filha desta prole numerosa e ruidosa, de fato demos muito trabalho
aos nossos pais e avós.
Crescemos com
poucos recursos financeiros, porém com uma infância proporcionada por
liberdade, bons brinquedos, passeios e livros. Muito cedo descobri que meus
pais trabalhavam e viviam por nós.
Essa liberdade
era o desafio maior de nossos cuidadores, porque as brincadeiras na rua, as
subidas em árvores, os tombos de bicicleta, nos renderam algumas idas ao
hospital, alguns pontos e cicatrizes pelo corpo.
Em uma dessas
peraltices, lembro-me como se fosse hoje o dia em que minha irmã Tatiana perdeu
o dedo do pé na carona da bicicleta da minha irmã Gisele. Estávamos na praia, em
Cidreira, nossos veraneios quase sempre foram nessa praia, nossos pais
reservavam um dinheirinho para as férias, isso era sagrado. Bom voltando ao
episódio, as duas manas saíram para uma volta de bicicleta e a minha irmã
colocou acidentalmente o pezinho na correia da bicicleta e o estrago foi feito.
Bem que minha mãe tentou um reimplante do dedo, mas estávamos a três horas do
hospital, sim era mais longe do que hoje, os carros e as estradas eram outras e
minha irmã teve que conviver com o fato de não ter o dedão do pé.
Além dessa
situação poderia enumerar outros casos de tombos e arranhões, não tão trágicos,
porque facilmente esquecemos e ficaram as lembranças gostosas das tardes
ensolaradas, dos banhos de mangueira, das primeiras idas ao colégio e dos
cheiros que até hoje me convidam às lembranças.
Alguns desses,
eu não esqueço e me enchem de nostalgia, o cheiro de leite quente na caneca de
alumínio, o cheiro de livro novo, esse ainda me enfeitiça tanto! O cheiro da
borracha e o “fedor” de banana das merendeiras. Isso vive em mim com força e
quando eles aparecem me recrutam a esse tempo tão bem vivido.
O nosso
convívio com os avós foi uma benção a parte, eles eram passionais, apaixonados
por nós e nossos defensores em todos os momentos, tanto meu avô, quanto a minha
avó, cumpriam um papel de guardiões da infância, não queriam que nada pudesse
nos atrapalhar e sempre que algo pudesse nos ameaçar, lá estavam eles nos
protegendo, muitas vezes de forma exagerada. Mas dizem por aí, que amor de avós
é muito diferente, eu espero viver esse amor para comprovar. Em um desses
episódios exagerados lembro-me do meu avô nos levando embora de uma festinha de
aniversário, porque minha irmã tinha levado uma mordida de uma outra criança e
ele disse que tinha “cachorro louco” solto na festa. Pois então, eram
exagerados, mas exagerados no amor.
A vida oferecia possibilidades
diferentes, mais simples, éramos curiosos, inventivos e criávamos todo o tipo
de cenário para as nossas brincadeiras.
As bonecas sempre foram o meu brinquedo preferido, a Suzi era a Barbie
dos anos 70, além das bonecas de papel que comprávamos na banca e podíamos trocar
as roupas. Mas eu também gostava das brincadeiras de rua, “sapata” era o nome
da amarelinha. E para jogar “sapata”, colecionávamos todo o tipo de pedra ou
entulho de obra.
As brigas entre irmãos quase
sempre eram em função de um ou outro brinquedo estragado, ou em função de uma
“delação premiada”, quando alguém entregava o autor da peraltice, aí a coisa
ficava feia. Puxar os cabelos até o chão era uma estratégia de briga
recorrente, até que nossos pais exigissem que “fizéssemos as pazes” e tudo
voltava a ser alegre.
Assistíamos a televisão juntos,
só dois canais a escolher. Havia um consenso coletivo, não me lembro das brigas
e disputas infantis serem em função da TV. Só havia um aparelho na casa e
estava tudo bem.
Assistíamos ao Sítio do Pica Pau
Amarelo e as aventuras de Pedrinho e Narizinho eram muito parecidas coma as
aventuras que vivíamos. Assim acreditávamos...
Quanto a mim, sinto falta dessa
fantasia, dos cheiros e das angústias aventureiras da época. Quando fazíamos
uma arte, a torcida era para que os pais não descobrissem. Nisso havia a
cumplicidade da Dona Neda, uma Dona Benta, toda nossa, que ralhava quando
precisava, mas que era nossa cúmplice em todas as aventuras.
Dela ficou um jargão em forma de
ensinamento que se perpetuou para os bisnetos e tataraneto: “Bota sentido, no
que estás fazendo, bota sentido...” Ela
sem nunca ter concluído uma etapa do colégio já sabia da importância da atenção
plena, hoje tão falada e conhecida como mindfulness. Que saudade!
Mas a vida não é perfeita, o roteiro às vezes muda, pois foi também na infância que
vivenciei algumas doenças sérias e que de uma forma ou de outra foram me constituindo e me tornando a cada dia mais resiliente. Dizem que a infância é
a nossa pátria. Creio que seja assim mesmo...
24 de setembro de 2018
Borboletário da Vida
O Borboletário
da vida é um projeto que utiliza a cultura da palavra (literatura, cinema e
música) como ferramenta de enfrentamento do câncer. Surgiu a partir das demandas vivenciadas por Luciane
Bernardes, idealizadora do projeto, pedagoga e paciente oncológica; foi oficialmente
fundado em 28/08/2018.
O
objetivo principal é ampliar o repertório cultural dos pacientes com câncer,
para que eles possam ressignificar as suas experiências durante o tratamento oncológico
e possam usufruir de uma melhor qualidade de vida. Acredita-se que o contato
com as histórias e com a música pode possibilitar ao paciente um processo de
catarse, onde as suas angústias e medos são representadas em outros contextos,
com personagens que frequentemente passam pelas mesmas preocupações e conflitos
que surgem junto com uma doença grave. Além disso, uma boa história e uma boa
música trazem alegria e plantam a esperança em dias melhores.
Diana e
Mario Corso, no seu livro Fadas no Divã, apresentam as histórias como uma “boa
caixa de ferramentas” que auxiliam as pessoas no confronto com as adversidades
da vida. Segundo eles quanto maior for o repertório de histórias maior é a
capacidade de enfrentamento positivo de uma situação limite.
A experiência
pessoal da idealizadora serviu de inspiração ao projeto, ela acredita que
podemos utilizar o poder de boas palavras e boas melodias nos locais nos quais
os pacientes recebem o tratamento. Ela atesta, como paciente oncológica, que boas
histórias e boas músicas a ajudam diariamente. A ideia é levar a cultura da
palavra aos pacientes e espalhar mais felicidade, esperança e resiliência.
O
projeto tem como missão o empoderamento dos pacientes através da educação e da
cultura.
Queremos
oferecer aos pacientes saraus literários, serenatas musicais sessões de cinema
comentadas, flyers com dicas de cultura e lazer. Também temos a pretensão de
auxiliar na reestruturação dos espaços hospitalares através de um ambiente mais
humanizado com sonorização e acesso a um pequeno acervo literário.
Para
isso já temos mais de trinta pessoas que se reuniram para levar conforto e
alegria através de bons livros e boas dicas de filmes e de músicas.
A primeira
ação é levar a mala literária aos locais de tratamento para ofertar bons livros
aos pacientes. Essa ação ocorre em parceria com a Casa Camaleão, por ocasião do
Natalenço, nos meses de novembro e dezembro deste ano.
Quer
nos ajudar?
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nossa página no Facebook: Borboletário da Vida
Sigam-nos
no Instagram @borboletáriodavida
E fique
atento às novidades e aos nossos pedidos!
30 de agosto de 2018
Casa Camaleão
Chego em casa
às 17h, após os exames e as reflexões diárias, penso se irei ao curso de
autobiografia. Apesar da vontade de
ficar em casa, decido ir, talvez o dia se mostre melhor do que começou. Tenho
aula na Casa Camaleão e não quero faltar.
Hoje o dia foi
puxado, exames que agora são rotina, mas que me invadem e me arrancam um pouco
desse mundo, sinto que me alma fica pendurada no mundo de cá e no de “lá”, me
sinto suspensa no ar, em uma dobra do tempo que só se estica de novo quando os
resultados saem. Demorei muito para
perceber que a minha vida ganharia uma nova identidade com o surgimento do
câncer, lutei muito para não me ver como uma paciente oncológica, na verdade
lutei por sete anos, queria esquecer as desventuras que me atingiram no
primeiro câncer. E não teve jeito, ele
voltou e me colocou para dentro dessa realidade concreta que é o tratamento
oncológico, hoje trato o terceiro tumor. Passados alguns meses do período mais difícil,
a quimioterapia e a radioterapia, me livrei da fisionomia de sobrevivente do
holocausto, os cabelos já parecem normais... Mas a vida está longe de ser como
um dia foi. Aos 41 anos quando o primeiro tumor apareceu, eu quis muito a minha
vida anterior de volta, hoje com 49 eu vejo que o câncer tem sido meu mestre e
já que não pude evitá-lo resolvi enfrentá-lo e ver o que ele tem a me dizer. Os
sintomas começam pela manhã, acordar e levantar da cama, é o primeiro desafio,
as articulações não respondem, há dores no corpo, efeitos colaterais das medicações
que sigo tomando. Coloco a primeira perna para fora da cama e sinto os
calcanhares fora do corpo, qualquer semelhança com a barata de Kafka, não é
mera coincidência, tentativas daqui e dali, levanto. A primeira decisão será se tomarei um analgésico
ou seguirei para a academia. Quase sempre decido por sair e me movimentar, mas
há dias em que ficar em casa recolhida me parece a melhor opção.
Decido ir para
a Casa Camaleão, chego à sala de aula e
sinto que a cabeça começa a doer, olho para esse espaço tão cheio de
significados e de energias de mulheres e homens como eu que seguem vivendo um
dia de cada vez, buscando, se reinventando, se reformando por dentro e por fora
e penso, vou melhorar, vou me esforçar para ficar bem, vou aguentar mais um
pouquinho. Tento me distrair olhando o cenário com atenção: reparo nas perucas,
a dor de cabeça se intensifica, eu imagino que elas estão ali tremulando,
esperando a cabeça certa para poderem ganhar vida, imagino que há um encaixe
oculto para cada cabeça, uma conexão invisível, onde é preciso saber domar aquela
peruca para ela se manter em cima da cabeça, algo como no filme Avatar, onde os
Navis, precisam encontrar o seu parceiro alado... Que viagem! Acho que exagerei
no analgésico, o que é que eu tomei mesmo?
Mudo a minha
atenção para os camarins, lindos coloridos com luzes brilhantes, eu sempre quis
ter um, aqui eles servem para satisfazer esse meu desejo infantil que sigo carregando
ao longo do tempo. Para mim as alegrias infantis se fazem presentes pela
memória de uma cor, um cheiro, uma luz colorida, alguém mais já sentiu isso? Eu
tenho guardado em mim estampas que remetem aos vestidos da minha mãe e avó... Lembro
disso olhando os lenços que estão organizados ao lado dos camarins, são coloridos, tem várias estampas. Algumas me
parecem bem familiares. Que droga de dor
de cabeça que não passa! Ai, enxerguei-me
no espelho, minha aparência, não revela o meu interior, eu me esforço para
parecer bem todos os dias, e é por isso que eu amo as maquiagens! Esse amor
começou na infância, em uma época que meninas de 5ª série não podiam se
maquiar, minha mãe dizia que eu iria ficar enrugada antes do tempo. Mesmo assim
me escondia no banheiro na hora do intervalo para passar batom e lápis de olho,
minhas maquiagens preferidas até hoje. Essa lembrança me fez rir, lembrando que
as minhas colegas e eu aprontávamos muita coisa, e que as nossas mães sempre
fingiam não perceber.
Volto ao
espelho, porque não falo que estou com dor? Posso pedir desculpas e ir embora,
voltar na próxima aula... Mas com essa cara será que alguém vai perceber que
tem dor? Será que não vão achar que é um fingimento? Bom pode ser, mas que
mania que eu tenho de me preocupar tanto com o que os outros pensam, eu sei que
a cabeça está doendo mesmo. Tá, tá doendo, mas eu não sou de fiasco, sou
daquelas que aguentam firme com o sorriso no rosto. Respiro e penso, que fingir
não é legal, me pergunto se isso é caso de terapia, ou se é só orgulho mesmo...
Tem um tanto de orgulho, mas também tem um tanto de vontade de viver, de não me
fechar e de não desistir. Reparo no filtro de sonhos, peço a ele que leve essa
dor embora, que me devolva ao momento, faço uma prece silenciosa, peço que essa
energia que aqui nesse espaço, com certeza fica retida me ajude. Recorro a vontade que eu tenho de me conhecer e me
reconhecer , desejo que seja mais forte que a minha vontade de ir embora. Respiro,
pego um chá quente e como um biscoito, me sinto em casa. Vou me concentrando
nos textos das colegas, me emociono, me reconheço em uma frase aqui, em outra
ali, fico feliz com elas, aprendo com o profe,
esse cara jovem meio tímido que nos brinda com leituras instigantes e partilha
sua sabedoria com uma simplicidade que encanta, comparo ele com o professor da
série Casa de Papel, acho graça, respiro... Vou me aconchegando e de repente a
dor vai ficando mais leve, não desaparece, mas fico até o final da aula e me
sinto bem por isso.
20 de julho de 2018
Pausas
Uma pausa para a dor...
Na pausa da dor, a felicidade do encontro...
De pausa em pausa me encontro e encontro os meus afetos, os meus motivos, as minhas razões para ser feliz.
A felicidade é a soma das pausas das dores sofridas e imaginadas e quase nunca reveladas...
A pausa me alimenta, me faz viver e me faz esquecer, que um dia eu vou morrer!
Na pausa da dor, a felicidade do encontro...
De pausa em pausa me encontro e encontro os meus afetos, os meus motivos, as minhas razões para ser feliz.
A felicidade é a soma das pausas das dores sofridas e imaginadas e quase nunca reveladas...
A pausa me alimenta, me faz viver e me faz esquecer, que um dia eu vou morrer!
14 de março de 2018
A hora da estrela
O câncer quando chega faz um estrago, no corpo e na alma... É assim, não tem o que fazer, a não ser olhar para isso e tentar tirar daí alguma lição. Muito eu tenho pensado a respeito de tudo isso em que a minha vida tem se transformado. Tenho tentado controlar o incontrolável... Como se o fato de não ter saúde fosse resultado única e exclusivamente das minhas ações. É fato que aquando adoecemos uma parte nossa está gritando por socorro, ainda mais um câncer! Mas também é verdade que há pessoas que terão câncer e outras não o terão e isso independe da vontade de cada uma.
Nessa busca de controlar o incontrolável, tenho tentado fazer a minha parte, estou comendo melhor, evitando alguns tipos de alimentos, diminuindo a ingestão de industrializados e tentando diminuir o meu peso, o que não é tarefa das mais fáceis, mas reconheço como muito necessária. Além claro de buscar ter bons pensamentos, vigiar a mente e movimentar o corpo... Tudo isso aliado à tarefa de reinventar em mim, uma nova mulher.
Esses dias fiz uma postagem no Facebook a respeito do fato de ter perdido os meus cabelos, pela segunda vez, e como a gente ouve: "o cabelo é o de menos..." Só que não... A perda dos cabelos leva um pouco da nossa feminilidade, da nossa identidade e essa falta temporária nos obriga a reinvenção. Com certeza não nos vemos mais como a mesma pessoa, surge outra, que ainda não conhecemos mas que precisamos fortalecer para não desistir, para que a cabeça continue em ordem e em cima do pescoço...
É quase uma metamorfose invertida, para mim acho que foi, mas consigo olhar para isso com humor, pode acreditar! Sigo em frente, levanto a cabeça meio lagarta, meio borboleta, mas o mais importante de tudo: VIVA! Na certeza que posso superar muito mais do que imaginei. Descobri em mim uma força que vem de dentro e que me empurra para fora de mim mesma.
Mudamos é fato, ficamos carecas, algumas vezes engordamos e em outras tantas há muita perda de peso, mas no meu caso, não foi só isso! As mudanças externas são visíveis e qualquer um pode reconhecê-las. Porém existem outras, não físicas, marcas indeléveis, na alma, na psique, no modo de enxergar a vida. As urgências são ressignificadas, o momento exige pausas e reflexões, mas o que fica é muita fome de viver! Usufruir desse mundo de tanta coisa boa!
Lembrar que pode ser a hora de colher os morangos...
Um dia tudo acaba, mas não é agora, por enquanto sigo colhendo morangos.
Termino citando Clarisse Lispector, no romance 'A hora da estrela': " Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas - mas eu também?! Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim."
É não é que é época de morangos?!
7 de março de 2018
FELICIDADE
A felicidade para mim é muito mais uma questão de opção e de fé do que de circunstâncias. A fé em um Deus que me ama de forma infinita e incondicional me dá a certeza de que tudo que me acontece, tudo mesmo, concorre para o meu bem. Sendo assim, sou feliz e agradecida. Mas também é verdade que tem muita gente que é infeliz porque se compara com os outros, que sempre parecem mais ricos, mais felizes e mais realizados. Em tempos de Facebook e Instagram essa "invejinha" coletiva já virou tema de pesquisa... Para quem se compara eu tenho uma dica: tente se comparar com quem está em guerra, seja em casa, em um morro no Rio de Janeiro, ou na Síria... Se compare também com alguém que está privado da sua liberdade, seja por questões políticas ou por uma doença; pense também naqueles que nunca ouviram uma palavra de incentivo de ninguém, ou que agora não conseguem manter economicamente a própria vida ou família, e não tem a quem recorrer... Se compare com quem está com uma dor insuportável e não tem hospitais por perto...
A lista de infortúnios é infinita e convém não estendê-la além da conta. Pense e compare. Ao final da comparação tenho certeza que verás que tens muito para agradecer. Deus nos chama para sermos cada dia melhores, não melhores que o outro, mas melhores do que já fomos ontem, essa é a única comparação que vale!
Motivos para ser feliz, todos temos e para a infelicidade também, mas aí está o mistério do livre arbítrio, escolha a VIDA, escolha ser FELIZ e diga não ao vitimismo que tanto se espalha. A felicidade pode se tornar um hábito? Sim, concordo!
17 de fevereiro de 2018
Ezequiel
Estou escrevendo esse post, na cama de um hospital, pois é novamente aqui me encontro...
Após dois tumores de mama, me apareceu um tumor no olho direito com o nome de Melanoma de coróide! Sim de novo! Foi um novo golpe! Porém, graças a Deus, descoberto a tempo para um nova cura! E é assim que estou enfrentando como uma nova oportunidade de cura. Está sendo difícil? Sim está, mas não vou tornar a minha dor maior do que ela deve ser.
Estou internada em São Paulo, único lugar no país onde há o tratamento para esse tipo de tumor. É um tipo raro de câncer... Até agora, tudo bem, o tratamento é relativamente aceitável, braquiterapia, direta no olho com a implante de duas placas no olho, do tamanho de sementes, para receber a radiação durante quatro dias. O tratamento foi totalmente indolor até agora. Nesses quatro dias eu fico no isolamento podendo ver somente as enfermeiras...Visitas de cinco minutos no máximo; o marido pode me ver por breve instantes, mas isso já me alivia a solidão!
Eu sou uma pessoa que não gosta de estar sozinha, prefiro a casa cheia, fiquei ansiosa com a necessidade de isolamento...
Mas agora que está acontecendo, estou calma, tenho rezado bastante e Deus tem sido minha fortaleza. Já não tenho pensado tanto, procuro ir levando o que tem me acontecido com tolerância e oração.
Tenho para mim que além da força que vem da oração da minha família e amigos, há de fato a presença calma do Senhor.
Me explico, para não acharem que estou louca...
Chegamos em São Paulo, no domingo, dia 4/02, e pegamos um Uber, o motorista um rapaz negro de 22 anos, jogador de futebol, nos contou toda a desventura sofrida, foi enganado pelo empresário, não estava mais jogando e que seu sonho era retornar aos campos de futebol. Ao final da história disse que não sabia porque nos contou, pois é assunto muito difícil para ele...Fiquei comovida com a história e pensei em rezar por ele, e desejei no meu íntimo que tudo se resolva. Ele me lembra um pouco meu filho Gustavo. Pergunto seu nome e ele diz: Ezequiel. Achei lindo esse nome, mas não pensei que era algum recado de Deus...
Chegamos ao hotel e saímos para a missa, depois pegamos um novo Uber, desta vez o carro parou em uma esquina, onde a rua se chamava Ezequiel, daí fiquei curiosa, esse nome de novo??? Mas guardei no meu coração...
Hoje me veio a inspiração para pesquisar, o significado e procurar por Ezequiel 37, e dai tive certeza, Deus me mandava dizer que ele é a minha fortaleza e que me restabeleceria, apesar de ter que passar por vales escuros, eu não temeria, ele estava comigo! Lá no versículo 5 diz o seguinte:
Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.
Fiquei emocionada com essa palavra que reconstruiu em mim a minha fé e possibilitou a minha entrega total ao tratamento e ao momento em que eu estava inserida.
Daí por diante eu passei dias calmos na presença do Senhor que pairava no ar, me confortando e me servido de repouso. Ele prometeu reconstruir-me e eu estou tomando posse dessa palavra. Obrigada meu Deus!
Ah isso é só uma parte das delicadezas que ELE nos reservou durante essa aventura, tem outras, que eu vou contar em outro post...Vou chamá-lo de Maria deu o Sim pra mim!!!
Após dois tumores de mama, me apareceu um tumor no olho direito com o nome de Melanoma de coróide! Sim de novo! Foi um novo golpe! Porém, graças a Deus, descoberto a tempo para um nova cura! E é assim que estou enfrentando como uma nova oportunidade de cura. Está sendo difícil? Sim está, mas não vou tornar a minha dor maior do que ela deve ser.
Estou internada em São Paulo, único lugar no país onde há o tratamento para esse tipo de tumor. É um tipo raro de câncer... Até agora, tudo bem, o tratamento é relativamente aceitável, braquiterapia, direta no olho com a implante de duas placas no olho, do tamanho de sementes, para receber a radiação durante quatro dias. O tratamento foi totalmente indolor até agora. Nesses quatro dias eu fico no isolamento podendo ver somente as enfermeiras...Visitas de cinco minutos no máximo; o marido pode me ver por breve instantes, mas isso já me alivia a solidão!
Eu sou uma pessoa que não gosta de estar sozinha, prefiro a casa cheia, fiquei ansiosa com a necessidade de isolamento...
Mas agora que está acontecendo, estou calma, tenho rezado bastante e Deus tem sido minha fortaleza. Já não tenho pensado tanto, procuro ir levando o que tem me acontecido com tolerância e oração.
Tenho para mim que além da força que vem da oração da minha família e amigos, há de fato a presença calma do Senhor.
Me explico, para não acharem que estou louca...
Chegamos em São Paulo, no domingo, dia 4/02, e pegamos um Uber, o motorista um rapaz negro de 22 anos, jogador de futebol, nos contou toda a desventura sofrida, foi enganado pelo empresário, não estava mais jogando e que seu sonho era retornar aos campos de futebol. Ao final da história disse que não sabia porque nos contou, pois é assunto muito difícil para ele...Fiquei comovida com a história e pensei em rezar por ele, e desejei no meu íntimo que tudo se resolva. Ele me lembra um pouco meu filho Gustavo. Pergunto seu nome e ele diz: Ezequiel. Achei lindo esse nome, mas não pensei que era algum recado de Deus...
Chegamos ao hotel e saímos para a missa, depois pegamos um novo Uber, desta vez o carro parou em uma esquina, onde a rua se chamava Ezequiel, daí fiquei curiosa, esse nome de novo??? Mas guardei no meu coração...
Hoje me veio a inspiração para pesquisar, o significado e procurar por Ezequiel 37, e dai tive certeza, Deus me mandava dizer que ele é a minha fortaleza e que me restabeleceria, apesar de ter que passar por vales escuros, eu não temeria, ele estava comigo! Lá no versículo 5 diz o seguinte:
Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.
Fiquei emocionada com essa palavra que reconstruiu em mim a minha fé e possibilitou a minha entrega total ao tratamento e ao momento em que eu estava inserida.
Daí por diante eu passei dias calmos na presença do Senhor que pairava no ar, me confortando e me servido de repouso. Ele prometeu reconstruir-me e eu estou tomando posse dessa palavra. Obrigada meu Deus!
Ah isso é só uma parte das delicadezas que ELE nos reservou durante essa aventura, tem outras, que eu vou contar em outro post...Vou chamá-lo de Maria deu o Sim pra mim!!!
2 de agosto de 2017
Conversa com Deus
O mal e o sofrimento
Leandro Gomes de Barros
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”
Tem coisa mais linda para se perguntar à Deus? Amei essa poesia declamada por Ariano Suassuna, quando perguntado se acreditava em Deus. Das certezas que me restam perto de completar cinquenta anos, a minha fé em um Deus bom e amoroso é a que guardo com mais carinho... Acho que é por isso que fiz pacto com a felicidade, na verdade tenho uma aliança com Deus e esse é o meu diferencial, Deus me abastece mesmo que eu muitas vezes não perceba.
Mas nos momentos difíceis, já pensei e confesso: Tanta gente ruim no mundo, porque eu??? Daí veio essa poesia me socorrer, Deus estava lá só temperando a vida, dando um toque de sabor e errou a mão... Quem nunca salgou o feijão? Queríamos aquela feijoada perfeita, e estava quase... Será dá para consertar feijão salgado? Dá mas requer tempo e paciência... Analogias à parte, o fato é que eu estava lá vivendo a minha vida de Facebook, só que de verdade, levando a vida feliz, colhendo alguns frutos e veio esse câncer de novo me atrapalhar! Eu não consegui escrever nada sobre... Não dava para acreditar...Mas foi de verdade e está quase acabando, terminei a quimioterapia no dia 26/07 e agora estou me preparando para a radioterapia e todos os exames pós tratamento; ou seja 2017, foi um ano de respirar para não pirar, porque tudo isso com certeza vai até o final do ano.
Resta ainda trabalhar o orgulho de achar que o sofrimento vem por merecimento e dar conta dessa ilusão de controle louca que quer nos convencer que esse câncer quem fez, fomos nós mesmos, isso é o que mais eu ouço e até já concordei... Mas vivo uma fase de negação e não quero assumir por inteiro uma responsabilidade que no mínimo, não é só minha! Quando eu vi uma criança de três anos entrar na unidade de quimioterapia, eu tive a certeza: Deus só podia ter ido "temperar o choro e acabou salgando o pranto"...
24 de fevereiro de 2016
Varal
Há uma poesia nas roupas tremulando no varal.
Há a ausência dos corpos, mas o cheiro do amor ainda está lá...
Ah um varal colorido...
Quantos sentimentos...
Quantas lembranças dos tempos vividos dentro de cada roupa!
Quanto de amor pendurado, na lida de tantos e tantas!
Tudo me encanta, e o encantamento surge assim:
Simples e colorido!
12 de janeiro de 2016
47 anos e desdobrável!
Pois bem hoje é a véspera do meu aniversário, resolvi que iria escrever algumas linhas sobre o fato de eu insistir em existir.
Eu estou de férias em um calor bem intenso nessa cidade que eu amo, a minha Porto Alegre. Estou com tempo disponível para refletir e arrumar armários, duas coisas que se retroalimentam, uma vez que arrumando um armário encontramos coisas passadas e o passado volta com força de presente.
Em uma dessas arrumações encontrei uma caixa cheia de mensagens, mensagens que me foram escritas dias antes da minha cirurgia para retirada de um câncer (sim vai fazer 6 anos em abril!!!).
Fiquei umas duas horas lendo cada carta e cada bilhetinho. No final dessa aventura e tour pelo passado me coloquei a repensar o que me teria salvado daquela situação tão enlouquecedora.
Acredito que em parte fui salva por meus defeitos.Tenho lutado internamente para me livrar um pouco do orgulho e da vaidade da minha personalidade. Creio que esses dois somados me causam alguns estragos nos relacionamentos pessoais e profissionais. Desde que eu tive o câncer, tenho passado por uma processo lento de transformação da minha vida. Consegui muita coisa, meu sentimento em relação a mim mesma é, na maioria dos dias, de satisfação. Me sinto bem dentro da pessoa que tenho me tornado. Todavia não tenho como não deixar de reconhecer que o meu orgulho e a minha vaidade me salvaram, pois eu não sucumbi, não enlouqueci porque tratei o câncer como um grande inimigo com o qual lutei. Na minha luta decidi que eu não deixaria transparecer nenhuma brecha de fraqueza ou de dúvida. Eu queria matá-lo e esse pelo menos eu matei! Não estava me meus planos perder para ele, meu orgulho não deixaria.
A vaidade me salvou nas minhas "aventuras travestis", onde eu tinha que lançar mão de muitos artifícios para permanecer me sentindo mulher. Valeu cada esforço! Valeu encarar os risos e os deboches, nada isso me afetava porque eu precisava era me sentir mulher e isso eu consegui. Não de graça porque para quem tem câncer tudo é muito caro (isso daria outro post), valeu cada real investido em perucas e cirurgias plásticas reparadoras. De sobra me tornei mais empática, hoje eu entendo muito a personagem Agrado do filme Tudo sobre minha mãe (vale a dica do filme).
Mas não foi só isso que me salvou, teve também a fé em Deus, a entrega, a tentativa de perder o controle e de entregá-lo nas mãos de Deus, o que nem sempre foi fácil, não dá para mentir. Tive que me apoiar na fé de outros e isso em muitos momentos foi o que me sustentou. Lancei mão de toda ajuda possível, pedi orações, pedi a unção dos enfermos e a comunhão em casa. Tudo para me manter calma e em conexão com Deus e com a sua força curadora.Valeu a pena cada prece entoada, esse foi o segredo maior da minha serenidade.
Não só os céus me confortaram, também a humanidade me serviu de consolo. Louvo a capacidade humana de fazer a Arte. Também ela me devolveu à vida em muitos momentos. Encontrei consolo na poesia de Adélia Prado, de Fernando Pessoa e de Mario Quintana. Nos romances carregados de ceticismo de Saramago e nos livros de auto ajuda (que paradoxo!), na efusão de cores e dramas dos filmes de Almodóvar e também nas produções de Hollywood. Nas músicas de Nando Reis, no som do The Killers ( e em em outros roqueiros) e também em algumas trilhas sertanejas. Tudo isso me proporcionou a seguinte constatação:
Eu estou de férias em um calor bem intenso nessa cidade que eu amo, a minha Porto Alegre. Estou com tempo disponível para refletir e arrumar armários, duas coisas que se retroalimentam, uma vez que arrumando um armário encontramos coisas passadas e o passado volta com força de presente.
Em uma dessas arrumações encontrei uma caixa cheia de mensagens, mensagens que me foram escritas dias antes da minha cirurgia para retirada de um câncer (sim vai fazer 6 anos em abril!!!).
Fiquei umas duas horas lendo cada carta e cada bilhetinho. No final dessa aventura e tour pelo passado me coloquei a repensar o que me teria salvado daquela situação tão enlouquecedora.
Acredito que em parte fui salva por meus defeitos.Tenho lutado internamente para me livrar um pouco do orgulho e da vaidade da minha personalidade. Creio que esses dois somados me causam alguns estragos nos relacionamentos pessoais e profissionais. Desde que eu tive o câncer, tenho passado por uma processo lento de transformação da minha vida. Consegui muita coisa, meu sentimento em relação a mim mesma é, na maioria dos dias, de satisfação. Me sinto bem dentro da pessoa que tenho me tornado. Todavia não tenho como não deixar de reconhecer que o meu orgulho e a minha vaidade me salvaram, pois eu não sucumbi, não enlouqueci porque tratei o câncer como um grande inimigo com o qual lutei. Na minha luta decidi que eu não deixaria transparecer nenhuma brecha de fraqueza ou de dúvida. Eu queria matá-lo e esse pelo menos eu matei! Não estava me meus planos perder para ele, meu orgulho não deixaria.
A vaidade me salvou nas minhas "aventuras travestis", onde eu tinha que lançar mão de muitos artifícios para permanecer me sentindo mulher. Valeu cada esforço! Valeu encarar os risos e os deboches, nada isso me afetava porque eu precisava era me sentir mulher e isso eu consegui. Não de graça porque para quem tem câncer tudo é muito caro (isso daria outro post), valeu cada real investido em perucas e cirurgias plásticas reparadoras. De sobra me tornei mais empática, hoje eu entendo muito a personagem Agrado do filme Tudo sobre minha mãe (vale a dica do filme).
Mas não foi só isso que me salvou, teve também a fé em Deus, a entrega, a tentativa de perder o controle e de entregá-lo nas mãos de Deus, o que nem sempre foi fácil, não dá para mentir. Tive que me apoiar na fé de outros e isso em muitos momentos foi o que me sustentou. Lancei mão de toda ajuda possível, pedi orações, pedi a unção dos enfermos e a comunhão em casa. Tudo para me manter calma e em conexão com Deus e com a sua força curadora.Valeu a pena cada prece entoada, esse foi o segredo maior da minha serenidade.
Não só os céus me confortaram, também a humanidade me serviu de consolo. Louvo a capacidade humana de fazer a Arte. Também ela me devolveu à vida em muitos momentos. Encontrei consolo na poesia de Adélia Prado, de Fernando Pessoa e de Mario Quintana. Nos romances carregados de ceticismo de Saramago e nos livros de auto ajuda (que paradoxo!), na efusão de cores e dramas dos filmes de Almodóvar e também nas produções de Hollywood. Nas músicas de Nando Reis, no som do The Killers ( e em em outros roqueiros) e também em algumas trilhas sertanejas. Tudo isso me proporcionou a seguinte constatação:
“Dor não tem nada a ver com amargura.
Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais,
é pra ensinar a gente a viver.
Desdobrável.
Cada dia mais rica de humanidade”. Adélia Prado
Ah esqueci! Teve também a força inigualável dos amores de todo o tipo, isso dará outro post...26 de novembro de 2014
30 de outubro de 2014
As expectativas e seus excessos
Faz tempo que eu observo o quanto o excesso de expectativas nos traz infelicidade e nos atrapalha nos relacionamentos. Tenho falado muito disso no trabalho que realizo com noivos em preparação para o casamento e tento desmitificar essa vida cor de rosa que nos é apresentada.
A vida é muito mais "bege" do que se imagina.
Em geral as pessoas criam expectativas em cima de tudo, da vida profissional, da vida amorosa, da vida familiar... Quando as expectativas não se cumprem e falham, o que vem é um grande sentimento de frustração. O fato é que esperamos de mais de tudo e de todos; fosse a vida um pouco mais leve e nós um pouco mais agradecidos, seria bem diferente.
Eu já fui a rainha das expectativas, estava sempre esperando um gesto de carinho, o reconhecimento do chefe, o reconhecimento da família... Até aí parece que não há problemas; o problema está no que a gente faz para não frustrar as expectativas... Nos agarramos na ilusão de que poderemos ser tão bons, mas tão bons que será inevitável ser reconhecido, mas "de verdade" não é isso que acontece.
A mídia nos ajuda a levantar o grau de expectativas, nos apresenta a família perfeita, o filho perfeito, a felicidade ao abrir uma lata de refrigerante... Nos vendendo que tudo é muito simples e que se a gente não consegue é porque não somos bons o suficiente. Quando descobrimos de que ninguém é tão bom e de que nós também não o somos, podemos lidar com uma felicidade um pouco mais baseada na realidade e mais possível de ser vivida.
Verdade mesmo é que a maior de todas as frustrações humanas é de que somos finitos, não há nada mais desapontador do que o fato de não sermos para sempre!
Conheço gente que vive como se fosse eterno...
6 de novembro de 2012
Marcas do que se foi...
É hora de ser feliz e deixar para trás tudo que já foi doloroso e que me fez sofrer. Deixar para trás não é esquecer, é simplesmente recomeçar...
Como foi difícil pensar nisso em se apropriar de um recomeço, em refazer tudo em mim e quando digo tudo claro que não é tudo, mas uma grande parte de mim se refez, se reconstruiu e quer se reintegrar.
A experiência de ser uma sobrevivente está para sempre marcada em mim. Tanto que fui buscar o significado desta palavra no dicionário e lá estava: aquele que escapou de morte ou ruína.
Há pouco mais de sessenta dias da minha última cirurgia de reconstrução da mama está tudo ótimo comigo, sou grata pelo resultado. Porém as marcas estão ali no corpo e na alma, cicatrizes que não doem mais porque já não são feridas, mas que me lembram que agora já não são mais feridas e não há porque tratá-las como se estivessem abertas.
Estão fechadas, não há mais dor...
Sem dor a felicidade se torna algo possível novamente, os sonhos retomam seu lugar de honra, é possível voltar a sonhar, é possível voltar a realizar.
Descubro que não me encaixo mais em alguns espaços, quero buscar outros.
Descubro que quero novos cheiros, novas cores, novos desafios.
Descubro que me desapego fácil e que o que fui continuará para sempre em mim, mas posso ser outra e outras, descubro a pluralidade das minhas possibilidades!
6 de outubro de 2012
1 de outubro de 2012
Tudo novo de novo 2
Olá passados pouco mais de trinta dias da cirurgia, estou me sentindo muito bem, ainda com um pouco de dificuldade para dormir, porque é sempre a mesma posição (de barriga para cima).
Está valendo muito a pena. Já passou um pouco da minha indignação em relação ao rompimento da prótese e acredito que o meu "encantamento está passando".
Encantamento porque tudo aconteceu neste processo de reconstrução... Da perda da primeira prótese até o rompimento desta última, inúmeros sentimentos passam pela nossa cabeça, mas nenhum tira a vontade de sentir-se um mulher por inteiro novamente. Sei que alguns julgam bobagem afinal podemos viver sem um seio sem maiores problemas, em tese pelo menos. mas a cabeça da mulher não é assim o seio tem um significado muito particular, revela o nosso feminino e não há nada que substitua isso, pelo menos para mim é assim. Com certeza diversas mulheres continuam vivendo suas vidas, namorando, sendo amadas e felizes independente da mama. Mas eu quis "depois de tudo ainda ser feliz", muito feliz! E não desisti...
Fé e coragem para quem está em tratamento, tudo vale a pena!!!
Está valendo muito a pena. Já passou um pouco da minha indignação em relação ao rompimento da prótese e acredito que o meu "encantamento está passando".
Encantamento porque tudo aconteceu neste processo de reconstrução... Da perda da primeira prótese até o rompimento desta última, inúmeros sentimentos passam pela nossa cabeça, mas nenhum tira a vontade de sentir-se um mulher por inteiro novamente. Sei que alguns julgam bobagem afinal podemos viver sem um seio sem maiores problemas, em tese pelo menos. mas a cabeça da mulher não é assim o seio tem um significado muito particular, revela o nosso feminino e não há nada que substitua isso, pelo menos para mim é assim. Com certeza diversas mulheres continuam vivendo suas vidas, namorando, sendo amadas e felizes independente da mama. Mas eu quis "depois de tudo ainda ser feliz", muito feliz! E não desisti...
8 de setembro de 2012
Intuição
Estava pensando o quanto as emoções interferem na minha vida e nos meus atos cotidianos.
Então cheguei a seguinte conclusão, preciso tentar e me esforçar para agir assim:
- Seguindo o meu coração algumas vezes...
- Seguindo a minha razão na maioria das vezes...
- Seguir a minha intuição, sempre!
Toda vez que eu desprezo aquela vozinha interior sábia, mas para mim ainda pouco confiável eu me arrependo!
A intuição é a soma do meu coração com a minha razão, é quase como se um anjo estivesse soprando no meu ouvido...
A partir de agora vou tentar segui-la, vamos ver no que dá!
PS:
Estou muito bem o pós-operatório está seguindo a normalidade, em breve retornarei as minhas atividades cotidianas.
5 de setembro de 2012
A verdade em relação a mamografia e porque fazê-la mesmo com prótese...
Hoje tive consulta com a minha mastologista e ela me assegurou que é de extrema importância fazer a mamografia e que nenhum outro exame a substitui.
Levei um verdadeiro "xixi" dela, pois como ela mesmo disse qualquer um pode sair por aí escrevendo sobre o câncer de mama, inclusive eu, totalmente leiga no assunto me senti a vontade para dar conselhos via internet.
O que aprendi com tudo isso?
- Cada caso é um caso, não dá para tecer generalizações, pode ser que de fato a minha prótese tenha rompido durante a mamografia, mas este é um caso isolado.
- Confie na sua equipe médica, isso é tudo!
- Sai da consulta convencida em ser obediente às ordens médicas, afinal se estou curada é porque grande parte disso vem de um tratamento adequado no momento certo.
- Não darei mais pitacos em áreas na qual não sou especialista.
- Perdoem-me a impulsividade.
- A emoção é sempre péssima conselheira!
Portanto façam as suas mamografias periodicamente, isso fará a diferença entre viver e morrer e vamos dizer bem a verdade viver é o mais importante!
4 de setembro de 2012
Mastectomia radical e implante de silicone, cuidados com a mamografia
Faz um tempo que não escrevo sobre a origem deste blog, mas ela é muito concreta, o blog surgiu em decorrência ao câncer de mama que eu tive. Na verdade surgiu um pouquinho antes, mas este antes não tinha nada de muito significativo. Então estou encerrando uma outra etapa, onde as cirurgias são feitas para devolver um pouco da minha imagem corporal antes da doença. Realizei agora no dia 28 de agosto a cirurgia para colocação do bico e mamilo, preenchimento do decote com gordura e tudo mais para deixar um tanto parecido com o que era.
O fato é que antes de fazer a cirurgia durante os exames de rotina descobri que minha prótese estava rompida. fato que me deixou bastante decepcionada e me senti em processo de regressão. Fiquei absurdamente chateada e pensativa sobre o fato, quem me acompanha desde o início sabe que já realizei diversos procedimentos cirúrgicos e alguns de fato não tiveram sucesso. Romper a prótese era uma pouco demais!
Foi então que a minha intuição me disse, meu médico confirmou e o Dr. Google fundamentou, sim o exame mamográfico pode romper a prótese. Tenho quase plena certeza disso...
E hoje quero alertar a todas as mulheres que seguem o meu blog e passam pela mesma situação que eu, ou seja, já fizeram mastectomia radical e colocaram prótese de silicone: não façam mamografias nesta mama que não tem mais tecido mamário para proteger a prótese! Peçam aos seus médicos que solicitem a ressonância magnética, a ecografia mamária, ou outro exame que não seja tão violento na pressão. Talvez o que ocorreu comigo sirva para evitar que outras situações como esta ocorram. Sinto-me no dever de alertar para essa possibilidade. As clínicas de diagnóstico são diferentes, algumas tem todo o cuidado e te explicam que existe a possibilidade de rompimento, outras não são tão cuidadosas e não possuem técnicos tão qualificados. É melhor não arriscar...
O meu cirurgião confirmou que a prótese estava partida ao meio inclusive fotografou para me mostrar. tiveram que lavar bem a cavidade onde a prótese estava inserida e foi mais complicado, algo que poderia ter sido evitado.
A minha cirurgia poderia ter sido bem mais simples, eu poderia não entrar tão estressada porque eu já tinha em mim o fantasma da rejeição da primeira prótese.
Passados alguns dias, o resultado está excelente, mas preciso me cuidar ainda, para que a cicatrização seja muito boa.
Portanto eu agora digito somente com a mão direita é bom não arriscar! Vou ter que fica sem dirigir por mais algum tempo e afastada do trabalho mais do que eu esperava.
MAS ESTÁ VALENDO A PENA!!!
Sinto-me uma mulher inteira novamente, e isso não tem como explicar...
Ouço muito as pessoas dizerem que o que importa é que eu estou curada, de fato isso é o que importa!
Mas uma vez curada, quero qualidade de vida, quero sentir-me em paz com minhas emoções e com tudo que diretamente me afeta.
Para encerrar quero compartilhar a oração de Santo Agostinho, que foi o meu santo protetor no dia da cirurgia, pois dia 28 de agosto é o dia dele; a oração é linda demais!!!
Foi então que a minha intuição me disse, meu médico confirmou e o Dr. Google fundamentou, sim o exame mamográfico pode romper a prótese. Tenho quase plena certeza disso...
E hoje quero alertar a todas as mulheres que seguem o meu blog e passam pela mesma situação que eu, ou seja, já fizeram mastectomia radical e colocaram prótese de silicone: não façam mamografias nesta mama que não tem mais tecido mamário para proteger a prótese! Peçam aos seus médicos que solicitem a ressonância magnética, a ecografia mamária, ou outro exame que não seja tão violento na pressão. Talvez o que ocorreu comigo sirva para evitar que outras situações como esta ocorram. Sinto-me no dever de alertar para essa possibilidade. As clínicas de diagnóstico são diferentes, algumas tem todo o cuidado e te explicam que existe a possibilidade de rompimento, outras não são tão cuidadosas e não possuem técnicos tão qualificados. É melhor não arriscar...
O meu cirurgião confirmou que a prótese estava partida ao meio inclusive fotografou para me mostrar. tiveram que lavar bem a cavidade onde a prótese estava inserida e foi mais complicado, algo que poderia ter sido evitado.
A minha cirurgia poderia ter sido bem mais simples, eu poderia não entrar tão estressada porque eu já tinha em mim o fantasma da rejeição da primeira prótese.
Passados alguns dias, o resultado está excelente, mas preciso me cuidar ainda, para que a cicatrização seja muito boa.
Portanto eu agora digito somente com a mão direita é bom não arriscar! Vou ter que fica sem dirigir por mais algum tempo e afastada do trabalho mais do que eu esperava.
MAS ESTÁ VALENDO A PENA!!!
Sinto-me uma mulher inteira novamente, e isso não tem como explicar...
Ouço muito as pessoas dizerem que o que importa é que eu estou curada, de fato isso é o que importa!
Mas uma vez curada, quero qualidade de vida, quero sentir-me em paz com minhas emoções e com tudo que diretamente me afeta.
Oração a Santo Agostinho
Tarde vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, Tarde vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim, e eu lá fora procurando-vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo, e eu não
estava convosco!
Retinha-me longe de Vós aquilo que não existia se não existisse em Vós.
Porém, chamastes-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez!
Brilhastes, cintilantes, e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes perfume: Respirei-o suspirando por Vós.
Tocastes-me e ardi no desejo de Vossa paz!
Só na grandeza de Vossa misericórdia coloco toda a minha esperança.
Dai-me o que me ordenais, e ordenai-me o que quiserdes.
AMÉM
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